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Bicheira em cães: O que é e como tratar esse mal

bicheira em cães

A malfadada, infeliz, desditosa bicheira é um desses agentes de doenças animais que impressionam qualquer apreciador de cães, gatos e outros amiguinhos domésticos. Conhecida tecnicamente como Miíase, vai se instalando em qualquer parte do corpo do pet. Quando se percebe, já maltratou o bichinho a ponto de causar comoção.

Neste artigo, vamos responder a todas as questões referentes à bicheira em cães.

Importante: como a gente sempre alerta nesses casos, trata-se de informações referentes à saúde de seu animal. Assim, consulte sempre um veterinário. Ele é o profissional adequado para diagnosticar e tratar seu animal.

Vamos saber mais sobre bicheira

A bicheira é o nome popular da Miíase.
A bicheira é o nome popular da Miíase.

O próprio nome infeliz da “coisa” já denuncia seu caráter. Trata-se de acúmulo de bichos em alguma área do corpo animal. E, com “bichos”, a gente está se referindo àqueles seres nojentos, rastejantes, repulsivos, as larvas.

Pela visão técnica, o nome da bicheira é Miíase. É um tipo de parasitismo. Ou seja, ação de organismos oportunistas que vivem às custas de outros organismos, normalmente maiores. Esse tipo de processo acontece também no mundo vegetal.

No caso das bicheiras, são micro-organismos que dependem de animais vertebrados para sobreviver. Vivem sugando energia de algum outro organismo maior, se alimentando de substâncias encontradas sob as camadas da pele animal ou mesmo da própria carne.

As larvas e bactérias consomem material necrótico – células naturalmente mortas encontradas em toda a pele do animal – ou ainda massa sanguínea encontrada em ferimentos em geral.

Isso é interessante: o processo parasitário é diferente do processo simbiótico. O primeiro causa danos ao hospedeiro, nome técnico do organismo que fornece a energia. Já na simbiose, a convivência é, digamos, pacífica, pois há troca de favores entre os envolvidos.

Tipos de bicheira

Veterinários e biólogos em geral costumam classificar as bicheiras em três grandes tipos, todos baseados na forma de infestação:

  • Biontófagas: também chamadas primárias e cutâneas, são bicheiras que aproveitam tecido vivo do animal. Ou seja, o pet não precisa necessariamente estar morto, moribundo ou mesmo ferido. As larvas acabam penetrando a carne e depositando suas matérias
  • Necrobiontófagas: também conhecida como secundárias e cavitárias, nesses casos, as larvas são especialistas em ocupar e invadir tecido necrosado. Lançam-se sobre matéria sanguínea em feridas ou pústulas ocasionais
  • Acidental: nesses casos, o pet acaba ingerindo algum alimento que contenha os micróbios da larva. A ação é, então, interna.

Como a bicheira chega ao pet

A bicheira se intala no animal através das larvas de insetos.
A bicheira se intala no animal através das larvas de insetos.

A Miíase, ou bicheira, se instala no corpo animal por meio de insetos, normalmente do tipo dípteros, isto é, insetos portadores de duas asas. Desta maneira, moscas, mutucas, mosquitos etc. se infectam de parasitas durante o dia a dia, que não lhes causam danos.

Quando pousam no corpo do pet, os micro-organismos se transferem para pele, pêlos ou mesmo para outros micro-organismos naturalmente viventes por ali.

No caso de o pet apresentar algum ferimento, inflamação ou irritação cutânea, suor, o micróbio passa a ocupar esse espaço em busca de “alimento”. Ou seja, energia encontrada nas substâncias do organismo animal.

É essa ação que permite à bicheira sobreviver, se desenvolver e causar malefícios ao organismo em que se hospeda.

Há muito mais de 150 anos, o entomologista inglês, FW Hope, usou o termo “miíase” pela primeira vez. Referia-se, então, à infestação provocada por larvas dos insetos nos corpos de vertebrados.

O cientista afirmou que, ao se alimentarem do sangue de feridas do corpo animal, os insetos transferem para eles as larvas de suas fezes, substâncias de seus próprios corpos ou mesmo – e principalmente – por meio de depósito de seus ovos.

As larvas (ovos) se instalam na região ferida e expelem substâncias enzimáticas que, por sua vez, causam problemas na carne animal. Caso não combatido a tempo, esse processo se repete e vai aumentando a região afetada. Desta forma, provoca odores que atraem ainda mais insetos e tudo vira um ciclo vicioso.

Um dos agentes mais ativos das bicheiras é a mosca varejeira. Seus hábitos a fazem colocar muitos ovos em pele em decomposição morta ou não, tecido inflamado e em outras condições. Eles eclodem em 24 horas quando em situação ambiental favorável.

A mecânica natural nesses casos é que a larva da mosca varejeira abandone o corpo animal e busque a terra. Entretanto, isso não é regra. Algumas podem gostar da carne e permanecer no local, sugando matérias.

E por que a bicheira se instala no pet

A bicheira se instala no animal para se desenvolver e se alimentar.
A bicheira se instala no animal para se desenvolver e se alimentar.

Porque há condições para o ciclo biológico das larvas. Isso significa que o ambiente em que o animal vive pode ou não propiciar infestação. Locais sem higiene ou excessivamente úmidos, restos de material orgânico, alimentos em condições ruins etc. atraem insetos e eventual desenvolvimento do processo.

A pele dos pets é naturalmente úmida. Essa característica facilita origem de pequenas feridas ou simples irritação. Além disso, é possível que restos de urina e fezes permaneçam entre os pelos. Isso pode ser convite para ação de insetos.

Ainda, alguma ferida não tratada acaba exalando odores atrativos. Isso ocorre normalmente em animais bastante ativos, brincalhões. Em algum momento, podem se machucar e ter orifícios abertos na pele. A massa sanguínea escurecida é excelente habitat para larvas.

Como identificar uma bicheira

Posto que há vários tipos de miíase, ou seja, de bicheira (veja mais abaixo), há também diversas manifestações sintomáticas. Algumas são fáceis de notar; outras, nem tanto.

Entretanto, há sintomas para os quais você pode manter a atenção e, assim, providenciar ações curativas:

  • Anorexia: o pet passa a evitar alimentação de maneira preocupante
  • Coceira e irritação intensas: presença de larvas e bactérias incomoda demais a região e ele passa a se coçar com frequência
  • Desconforto: o comportamento do animal mostra movimentação intensa
  • Diarreia: quando em fase avançada, a bicheira pode provocar distúrbios estomacais
  • Dor: posto que as larvas penetram a carne do pet, atingem partes sensíveis e causam dores intensas
  • Edemas: você vai notar manchas estranhas na pele do animal
  • Febre: uma vez que pode causar inflamações, é possível que o pet seja acometido por febre
  • Lambida excessiva: consequência da coceira
  • Lesões de pele: as larvas penetram a carne e, portanto, causam ferimentos
  • Movimento de vermes: em estágio mediano de avanço, é possível perceber larvas em movimento na região afetada
  • Úlceras: trata-se de fase avançada da bicheira

Apesar de você ter condições de identificar os estágios da bicheira, convém buscar auxílio médico. O diagnóstico é feito por veterinário competente, capaz de oferecer o tratamento adequado para cada estágio.

Tratamento da bicheira

O tratamento da bicheira deve ser feito com acompanhamento veterinário.
O tratamento da bicheira deve ser feito com acompanhamento veterinário.

Claro, sempre sob acompanhamento do veterinário. Isso é necessário porque, como foi dito acima, a infestação pode dar origem a doenças secundárias, oportunistas. Assim, se você tratar apenas a bicheira – e não sendo veterinário, obviamente -, pode estar ocultando ações periféricas não identificadas.

Dessa maneira, sempre procure apoio médico. Ele vai seguir os passos ideais:

Limpeza da área

É preciso desinfetar a área atingida a fim de evitar avanço dos estágios. Também a tricotomia (remoção dos pelos) ao redor das lesões, é essencial para tratamento e realização de curativos.

Extração dos vermes

O passo seguinte é retirar os vermes eventualmente já desenvolvidos na região ferida. Esse procedimento precisa de atenção. Os vermes podem ser partidos e suas substâncias corporais se alastrar pela ferida. Com o tempo, é possível que a anomalia reincida.
Em muitas ocasiões é necessário realizar a sedação e até mesmo anestesia para remoção das larvas no ferimento, sendo somente o veterinário capacitado para isso.

Curetagem

O profissional vai, então, raspar a área atingida. Com isso, bactérias e outros micro-organismos são removidos.

Material antisséptico

O próximo passo é aplicação de material de assepsia profunda. Dessa maneira, qualquer material nocivo é removido. Entre esses indicamos água oxigenada, iodo, clorexidine.

Antibiótico

Uma vez extraído o verme e feita a assepsia, é aplicado remédio antibiótico – conhecido normalmente como mata-bicheira. Pode ser em spray, pomada, creme. No caso do spray recomenda-se o spray prata, devido a sua ação inseticida, bactericida e cicatrizante extremamente eficientes.

Proteção

Finalmente, a área atingida deve ser protegida por faixas e curativos gerais. Certamente, essa ação evita que outros insetos atinjam o local. Estando ainda sensível, o nível de vulnerabilidade é grande.

Dependendo dos estágios da bicheira, da situação orgânica do pet e de fatores secundários, o veterinário responsável vai prescrever antibióticos orais como ação complementar. Assim, eventuais patologias oportunistas são combatidas, ainda que por descargo de consciência do profissional e dos proprietários.

Humanos, atentai-vos à bicheira

A bicheira pode também acometer os humanos.
A bicheira pode também acometer os humanos.

Uma vez que a bendita bicheira é parasita de vertebrados em geral e sendo o ser humano um deles, é natural que ela possa atacar também nossos organismos. Portanto, é preciso muita atenção, cuidados e especialmente higiene.

Você é amante de pets; eles também adoram sua presença. Assim, vira e mexe, estão brincando com você, interagindo, tocando, ocupando seu colo. Nesses momentos, o contato é direto e as possibilidades de contágio são enormes. Claro, no caso de o pet estar vitimado de bicheira.

Assim, mantenha atenção especial ao comportamento de seu animal e ao local que ele mais ocupa na casa. Seu cantinho precisa de limpeza constante e ele, o pet, ser monitorado sempre a fim de se constatar presença de vermes em alguma região do corpo, em especial as partes sem pelo.

A atenção deve ser redobrada se houver bebês, idosos ou acamados em casa. Use repelentes de insetos, mantas e malhas como obstáculos de entrada de voadores e outras estratégias.

O veterinário é competente para programar ações de desparasitação e de vacinação, além de sessões de limpeza e higiene.

Métodos de prevenção à bicheira

Você pode evitar que seu pet seja vítima desse mal. Ações preventivas têm grandes índices de êxito nesse objetivo.

Brincadeiras

Interaja com certa constância com seu animal. Assim, durante as brincadeiras, você pode perceber áreas do corpo com alguma protuberância, vermelhidão, perda de pelo etc.

Limpeza do ambiente

Providencie limpeza do local da casa mais ocupado por seu pet. Limpe urina e fezes, retire resto de alimentos, mantenha sacos de lixo distantes de seu dormitório etc. isso diminui incidência de insetos e suas ações maléficas.
Também indica-se aplicação de inseticidas a cada 15 dias para controle de insetos no ambiente, e controle de pulgas e carrapatos.

Higiene física

Banhe seu animal frequentemente. Dependendo da raça – como as com abundância de pelo, por exemplo -, essa frequência deve ser maior.

Assepsia primária

Tão logo perceba existência de feridas, trate-as. O odor exalado atrai insetos e micro-organismos.

Doenças em geral

Qualquer que seja eventual doença da qual o pet é acometido, convém isolá-lo o mais possível. Sua debilidade pode ser propícia à ação de insetos.

Então, o ideal é manter seu amiguinho limpo, bem como o local da casa em que ele permanece. Dessa maneira, a presença dos agentes transportadores das bicheiras é evitada e as possibilidades de infecção, minimizadas.

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Correções e revisões feitas pelo médico(a) veterinário(a) Dr. Patrick Rafael Teixeira Batista, CRMV/SP:26050

Dr. Patrick Batista (CRMV/SP:26050)

Written by Dr. Patrick Batista (CRMV/SP:26050)

Patrick Rafael Teixeira Batista (CRMV/SP:26050 ) é médico veterinário, graduado em medicina veterinária pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) e apaixonado pelos animais. Iniciou sua carreira como estagiário em diversas clínicas veterinárias e atuou também na área comercial de grandes empresas do setor pet como vendedor. Atualmente é membro do departamento de zoonoses da prefeitura de Barra do Chapéu/SP e trabalha como profissional autônomo em seu consultório, atendendo pets e outros animais exóticos!

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