Você já passou por uma experiência que pôde chamar de extraordinária? Se não passou, vá ver uma Baleia Jubarte.

Se já passou por uma experiência interessante e ela não está associada a esse mamífero marinho fantástico, então não pode chamar de extraordinária. Você só terá ideia do que é extraordinário quando estiver perto desse gigante.

O comportamento desse bicho é algo de fazer cair o queixo, como você vai saber neste artigo. Em princípio, seu tamanho dá ideia de um ser estabanado, desengonçado. Entretanto, dentro dos limites que a física permite, é um ser quase ágil. Um perfeito atleta.

Por que o nome Baleia Jubarte

baleia jubarte outros nomes

A baleia jubarte tem muitos outros nomes também.

Ela tem outros nomes também: baleia-corcunda, baleia-cantora, baleia-de-corvoca, além de mais alguns. Por outro lado, em termos de gramática propriamente dita, os bons e sábios linguistas sugerem chamar de Jubarte apenas. Segundo suas opiniões e estudos, esse termo já significa baleia-de-corcova ou baleia corcunda.

Continuando, jubarte é originado do francês jubartes que, por sua vez, vem do inglês gibbard, que significa corcunda, protuberância. Assim, claramente, Baleia Jubarte significa baleia com corcunda, com corcova, com protuberância.

Desta maneira, você já tem a primeira característica física desse titã do mar: dorso curvo. Ela compõe as mais de 80 espécies de cetáceos existentes, que são mamíferos marinhos.

Sua identificação científica, ou seja, seu nome, é Megaptera novaeangliae. Já a primeira menção oficial a ela foi feita em 1756 por Mathurin Jacquer Brisson, zoólogo e físico francês.

Vamos agora ver mais dados sobre ela.

A Baleia Jubarte e seu físico

baleia jubarte cinza escura com manchas brancas

A baleia jubarte é cinza escuro com manchas brancas visíveis durantes seus grandes saltos.

A Baleia Jubarte é cinza escuro no dorso, normalmente. Tem manchas brancas na barriga, conforme você vê mais abaixo. O nome (corcunda) é por causa de sua silhueta: grande ao meio e vai afinando até a cabeça e cauda, formando uma corcova mesmo.

Entretanto, isso é mais percebido quando ela está em grandes saltos em que se curva no ar para entrar na água.

Por falar na cabeça da jubarte, estas são providas que vários tubérculos que, por sua vez, contêm algo como fio grosso de cabelo. Pesquisadores imaginam que estes sirvam como detectores de movimento.

Suas enormes barbatanas laterais – mais de 30% do comprimento total – servem para impulsionar as toneladas de corpo na água. Além disso, funcionam como leme nas diversas brincadeiras quando está no ar ou mesmo na água.

Um RG visível

A baleia jubarte é um dos animais mais fáceis de ser monitorados por parte de estudiosos. Cada indivíduo tem sua marca própria. São marcas dos mais diferentes formatos no ventre e na cauda que individualizam como se fosse impressão digital.

A partir delas, biólogos acompanham o desenvolvimento dos recém-nascidos, o comportamento dos adultos e obtêm outras informações. Além disso, podem medir o nível de riscos de extinção. Veja mais sobre isso no decorrer deste artigo.

20 carros populares de peso

Claro, esse colosso do mar deve pesar muito. Somente as nadadeiras têm até 18m de uma ponta a outra. Imagine que um carro popular pesa por volta de 2ton ou 2,5ton. A Baleia Jubarte pode chegar ao mesmo peso de 20 desses veículos.

O tamanho também surpreende

Atinge 15 ou 16m de comprimento quando adulta. Como comparação, tem o comprimento de um ônibus. Esse é o tamanho médio das fêmeas. Há registros de indivíduos com mais de 20m, mas é isso é muito raro. O maior já encontrado tinha 27m de comprimento, ou seja, quase o dobro da média.

Interessante: macho é, via de regra, bem menor que as fêmeas. O tamanho médio dos machos é por volta de 13m ou 14m.

Barbatanas no lugar de dentes

Ela não possui dentes. O que há no lugar é uma fila de placas de queratina, entre 300 e 400 delas. É nessas barbatanas que os pequenos crustáceos que servem de alimento ficam presos (veja mais abaixo).

Ao engolir grande porção de água com o cardume, este fica retido quando a água é expelida. Cada placa é ligada à outra por meio de cerdas, o que forma algo como rede. É ali que os pequenos peixes ficam presos.

Sistema respiratório

Nisso, a Baleia Jubarte é singular, é bem diferente. Enquanto outras espécies dispõem de um orifício no dorso por onde o ar entra e sai, a Jubarte tem dois. E é um para cada pulmão.

E ainda: o processo de respiração não é automático como em outros animais. A Baleia Jubarte precisa estar atenta. Caso contrário, a respiração para. Então, para evitar riscos de morte quando dorme, ela entra em sono com apenas uma parte do cérebro. A outra está atenta ao processo.

A Baleia Jubarte e seu comportamento

baleia jubarte animal extrovertido

A contrário que se pensava a baleia jubarte não é um animal introvertido.

Até pouco tempo atrás, imaginava-se que a Baleia Jubarte fosse bastante introvertida. Antissocial mesmo. Porém, análises mais constantes de seu comportamento demonstram que é ao contrário. Pelo menos em algumas situações.

Onde vive a Baleia Jubarte

Dizem os especialistas, brincando, que há baleias jubarte onde houver água. Pelo menos em profundidade suficiente para envolver esse belo e fantástico monstro marinho. Ou seja, elas estão por toda parte.Estão em águas tropicais, oceanos mais frios, águas medianas etc. Até mesmo nos mares da Arábia.

Baleias Jubarte gostam de cantar

Um das principais belezas da Baleia Jubarte é o canto. Veja bem: não se trata apenas de sons disparados em algumas situações. É canto mesmo. E esses cantos têm funções específicas, algumas delas descobertas apenas recentemente.

Cantam pela comunidade

Estudos muito interessantes mostram que cada comunidade de Baleia Jubarte tem seu próprio canto. Isto é, seria como se fosse um dialeto comum aos elementos. E seu estilo também, veja só. Uma das comprovações de que não se trata de sons ocasionais é o fato de aprenderem a cantar.

Ou seja, os filhotes não vocalizam, não é algo inerente ou instintivo. À medida que o filhote ouve a mãe cantar durante passeios, ele vai emitindo sons parecidos. E vai alterando os sons até que se assemelhe ao que ouve de mãe.

Alguns não conseguem.

Cantar é pra machos

E outra: apenas os machos conseguem cantar. Interessante, não? As fêmeas sonorizam algum som inconcluso, mas são os machos que alcançam decibéis incríveis.

E a gente brinca dizendo que não é samba de pagode, é samba-enredo. Afinal, as canções têm até 20 minutos de duração compostas por uivos, ganidos, gemidos, gritos. E se repetem por mais de duas horas, variando os tons entre o agudo e grave. Então, é samba-enredo.

Cantam alto pelas fêmeas

Além de extensos, são também intensos. É possível ouvir o canto da Baleia Jubarte a mais de 30km de distância. Um indivíduo que ouve a canção de outro a distância pode tentar harmonizar seu próprio canto com ele. Entretanto, isso pode não significar admiração.

Há pesquisas que mostram que a harmonia dos cantos entre machos pode ser uma espécie de batalha por alguma fêmea. Um precisa se sobressair a outro para chamar a atenção da fêmea disponível.

Por outro lado, o canto é completamente diferente quando estão à procura de alimento. Isso pode significar que os sons servem também para avisar a outras baleias sobre abundância ou não de alimento.

Mesmo cardápio para duas baleias

Um pequeno crustáceo muito parecido com camarão é a fonte de alimentação da Baleia Jubarte. É o krill. Aliás, o mesmo alimento da Baleia Azul, que é considerada o maior mamífero da face da Terra.

Porém, nem só de krill vive ela. Das espécies de baleias, a Jubarte é a que tem alimentação mais variada. Também gosta de lagosta, salmão, cavala, arenque. E, tanto quanto sua rival, a Baleia Jubarte precisa de quantidade diária razoável desses petiscos: por volta de 1,5ton.

Entretanto, quando recém-nascidos, precisam apenas do leite materno. Pouco menos de 300l (o leite é grosso, viscoso) diariamente satisfazem sua fome.

Elas se reconhecem

Elas agem entre si muito facilmente. E isso é encantador – veja o porquê.

Recentemente, percebeu-se que a Baleia Jubarte faz amizade com muita facilidade. E, pasme! Reconhece uma amiga – note que dissemos “amiga”, ou seja, isso acontece apenas entre as fêmeas. Isso significa que, após retornar de longa viagem para alimentação ou acasalamento, um indivíduo fêmea identifica uma amiga de antes.

E mais: nadam juntas, brincam entre si. Isto é, demonstram carinho e amizade.

Porém, o reconhecimento não acontece de uma baleia para com muitas outras. Isso, talvez, fez os observadores suspeitarem que elas seriam insociáveis. Uma baleia é altamente amigável, mas com poucas outras baleias do baleal (que é coletivo de baleia).

Estariam num show circense

Além de cantar, gostam também de acrobacias. Não raro, é possível vê-las saltando sobre a superfície, se contorcendo graciosamente e mergulhando.

A performance é fantástica, pois os movimentos parecem calculados. Outra forma de show é bater ritmadamente a cauda na água. O barulho que produzem é muito alto.

Especialistas supõem que suas performances são uma espécie de meio de comunicação. Além disso, também pode servir para brincadeiras umas com as outras, mostrando assim grande nível de interatividade.

Porém, não é descartada a possibilidade de estar se mostrando como saudáveis e preparadas para acasalamento.

Como nada é perfeito, são ótimas predadoras

E a maneira como caçam é também inteligente. Um baleal envolve o cardume e começa a soltar pequenas bolhas de ar na água. Os pequenos crustáceos acabam se reunindo num grupo. Pronto! Presa fácil.

Outra técnica é “berrar” perto do grupo de crustáceo. Então, este se assusta e corre para a superfície. Lá, as baleias batem a cauda na água muito fortemente. Assim, as presas se desorientam, se amontoam e se tornam alvos óbvios.

Depois, abocanham o grupo todo de bichinhos, milhares e milhares deles. Feita a manobra, basta expelir a água com a língua, mantendo a comida na boca, e depois engolir.

Nessa época, ela acumula gordura, pois vai precisar para o período de acasalamento. Não se sabe exatamente o porquê, mas ela entra em jejum quase total antes de acasalar.

Viajante da águas

A Baleia Jubarte trabalharia em circo, como a gente disse acima, ou seria almirante de navio. Adora “velejar por mares nunca dantes navegados”, tal é sua disposição para se deslocar entre os oceanos. Ela viaja mais que qualquer outra espécie de baleia.

É capaz de se deslocar por até 25 mil quilômetros nas altas temporadas de turismo. Claro, esse turismo todo é necessário para manutenção da espécie: no inverno, migram para águas frias para acasalar; no verão, para se alimentar.

Interessante: há uma espécie de hierarquia no trajeto. As mais velhas estão sempre à frente das mais novas.

Método de reprodução e ciclo de vida

baleia jubarte se reproduz como todo mamífero

A baleia jubarte se reproduz com frequência normal de outros mamíferos.

O processo é a partir de cópula, ou seja, contato físico sexual. A Baleia Jubarte não se reproduz com a frequência normal de outros mamíferos. Há intervalos de 2 ou 3 anos. Entra em fase adulta apta a reproduzir entre o sexto e nono ano de vida.

Quando o macho encontra – ou é atraído – uma fêmea em fase de cio, passa a acompanhá-la até se sentir seguro para a investida. Afinal, ele é menor que ela. Ou seja, é bem esperto para aguardar autorização.

A gestão percorre os 11 ou 12 meses seguintes após a fecundação. Os recém-nascidos têm entre 3m e 4m e se alimentam de leite por até 1 ano. Quanto ao leite, tem grande porcentagem de gordura, mais de 35%. Isso facilita que o recém-nascido o apanhe no meio da água tão logo saia da teta.

Em verdade, a fêmea dispõe de diversas glândulas mamárias, mas apenas dois mamilos. Estes são ocultos em duas fendas próximas à genitália. Aparecem na fase de lactação, quando as fendas se abrem e os mamilos surgem.

A qualidade do leite materno permite desenvolvimento de espessa camada de gordura corporal que ajuda muito em tempos de inverno. A Baleia Jubarte vive até entre 40 e 50 anos.

A Baleia Jubarte e os riscos à sobrevivência

São ágeis para o peso que carregam e para o tamanho que alcançam. Entretanto, são lentas para caçadores. Durante muitas décadas, a caça à Baleia Jubarte movimentou um comércio de muitos milhões de reais.

Atualmente, a caça eficientemente controlada. A União Internacional para Conservação da Natureza – IUCN considera que as jubartes estejam em menor risco desde muitas décadas.

Porém, ainda há navios baleeiros pelas águas do mundo assassinando os gigantes dos mares, como na Islândia, Noruega e Japão. Já a Groenlândia, por exemplo, autoriza que determinados bolsões de habitantes cacem jubartes e outras baleias para subsistência.

E supõe-se que, durante o ápice dos tempos de caça há algumas décadas, mais de 90% dos indivíduos tenham sido abatidos.

Calcula-se que haja hoje pouco mais de 30% da quantidade original e ideal. Entretanto, ainda não foi possível chegar a número total atualmente. Alguns cálculos chegam a 40 mil indivíduos; outros, a 80 mil.

Por outro lado, outros perigos assustam pesquisadores e ambientalistas.

  • Qualidade da água: petróleo e outros produtos químicos poluem a água do mar com certa frequência e isso interfere da capacidade de sobrevivência
  • Excesso de barulho: sonares, explosivos, motores de jatos, barulhos de navios e de barcos em geral etc. podem alterar o sistema auditivo das baleias jubarte. Ao longo do tempo, pode causar malefícios terríveis
  • Pesca da base alimentar: a pesca descontrolada de crustáceos, em especial o krill, leva à perda de qualidade orgânica das baleias. Isso pode refletir diretamente no processo de reprodução da espécie
  • Acidentes de trânsito: tráfego constante de embarcações diversas aumentam as chances de colisão

Jubarte no Brasil

O Instituto Baleia Jubarte, com sede no Espírito Santo, identificou crescimento extraordinário na quantidade de baleias da espécie. A mecânica de medição é averiguação justamente das manchas na barriga e na cauda mencionadas neste artigo.

Segundo relatórios de monitoramento do Instituto, foi possível registrar passagem de mais de 20 mil indivíduos em 2018. O número é infinitamente estimulante porque a quantidade de indivíduos era de apenas 1000 há 30 anos.

A costa brasileira é caminho no deslocamento da Jubarte. Assim, pontos de acompanhamento capturam informações valiosas.

A tecnologia dos drones foi aplicada na filmagem para posterior avaliação. Assim, o Brasil divulgou ao mundo a notícia do aumento na quantidade de Jubarte no Planeta. Isso é alentador e promissor.

Você tem alguma outra curiosidade ou precisa de outras informações sobre a Baleia Jubarte? Deixe na área de comentários abaixo ou envie mensagens.