Ele não voa. Bota ovos enormes e tem fama de grande comilão. E dizem ainda que esconde a cabeça quando está com medo ou inseguro. Por isso, no cinema, na literatura e no imaginário popular, é usado em diversas ocasiões como apoio a lições de vida sobre autocontrole e até mesmo sobre dietas alimentares. Saiba agora o que é verdade e o que é mentira no dia a dia do avestruz, uma ave provavelmente pré-histórica na civilização atual.

Diz-se “provavelmente pré-histórica” porque parece haver fortes indícios de associação entre o Gigantoraptor, um ser terrível da época dos dinossauros, e o avestruz atual. As semelhanças são incríveis. Basta apenas se conseguir comprovação mais eficaz.

O avestruz esteve no meio das muitas civilizações ao longo dos milênios. Há 5 mil anos que essa ave faz parte do cotidiano humano, inclusive e especialmente na atualidade. Hoje, há fazendas especializadas exclusivamente na criação e comercialização de avestruzes e derivados.

Ele é usado até mesmo como divertimento humano e não apenas em zoológicos. Determinadas regiões africanas promovem campeonatos de corrida de avestruz. O comércio de utensílios para esse tipo de esporte – como selas e biqueiras, por exemplos – é amplo nessas regiões.

Lamentavelmente, a quantidade de indivíduos tem decrescido fortemente nos últimos dois séculos. A caça desmesurada e a oferta indiscriminada de subprodutos de avestruz são alguns dos motivos. O outro, ainda mais intenso, é a invasão por parte de humanos no habitat desses animais. O fato de haver muitas fazendas de criação tem interferido em eventual aumento da população da aves.

O avestruz e seu comportamento

O avestruz possui hábitos excêntricos e hilários.


Os hábitos do avestruz são mencionados como excêntricos em algumas ocasiões e muito hilários em outras. Entretanto, biólogos zoólogos e pesquisadores dizem que há motivos práticos para isso. E muito fortes.

O avestruz e sua mansidão

Avestruz é ave amiga. Apesar de seu tamanho e força descomunal, é bastante sociável. Durante épocas reprodutivas ou período seco do ano, se deslocam em grupos de 40 a 50 elementos. Mas, no inverno, prefere grupos bem menos, de 2 a 3 indivíduos. Isso ainda não foi totalmente compreendido por pesquisadores, mas se imagina que tal se dê em função de alguma necessidade territorialista.

É tão sociável que caminham até mesmo junto com mamíferos durante pastagens, como zebras, antílopes e outros.

Interessante: os grupos são normalmente comandados por fêmeas. São elas que indicam direção e tomam decisões importantes. Porém, somente em períodos de não acasalamento; nestes, o macho retoma o controle.

Mansidão até a página 2

Como todo animal, o instinto de proteção à fêmea reprodutora e ao seu clã é intenso. Nessas épocas, um avestruz pode combater rivais em lutas ferrenhas, mas bastante curtas. Curtas que, entretanto, podem ser mortais. O bater de cabeças entre machos gera ferimentos internos eficazes.

Ele não sabe disso e ainda bem, mas suas patas são fortes o bastante para matar um rival em qualquer contenda. Inclusive um humano. Ou um leão. Sim, isso é possível. Afinal, os chutes são as suas armas mais mortais.

Um golpe de patas do avestruz bem dado na cabeça de uma zebra, por exemplo, chega a matar o oponente. Quando a ave está defendendo seus ovos ou filhotes, a estratégia de defesa se torna muito mais perigosa para invasores.

Medo aparente do avestruz

Ao primeiro sinal de perigo o avestruz corre em disparada.


Em qualquer situação na qual se sinta ameaçado, o avestruz sai carreira desabalada. Aliás, “carreira” é maneira de dizer porque ele atinge velocidades extraordinárias. Entretanto, análises por parte de pesquisadores indicam que não se trata de medo propriamente dito, mas defesa de seus pares.

A tal fama de amedrontado tem explicação. Leigos vêem o ato de o avestruz enterrar a cabeça como expressão de pavor ou de timidez. Nem uma coisa nem outra. Em verdade, é o instinto de autoproteção (preservação da espécie) que atua.

Esse instinto diz que, colocando a cabeça próximo ao chão, o corpo da ave pode se misturar à paisagem e tornar-se menor. Em geral, isso é bastante interessante para machos por conta da cor de sua plumagem. Assim, estaria tentando se ocultar de eventuais atacantes. Sendo visto a distância por humanos, estes acham que a ave esteja enterrando a cabeça no chão.

É isso.

Onde estão

A presença de avestruzes está limitada a grandes áreas reservadas à preservação da espécie na África. São savanas destinadas à convivência pacífica com alguns outros animais. Até poucas décadas, tal presença era também encontrada na Ásia e Oriente Médio, mas a caça e consumo como alimento minimizou a quantidade de indivíduos. Atualmente, considera-se como extinto naquelas regiões.

Apesar de, como dito, haver fazendas de criação, estas não atuam como incentivadoras de aumento no número de indivíduos porque estes já são destinados ao abate.

Velocista invejável

Precisando, essa ave de tamanho colossal chega mais de 70km/h. Apenas um de seus passos pode cobrir mais de 5m de distância. Compare com o homem mais rápido do Planeta e via perceber a potência do avestruz.

Em 2011, o americano Justin Gatlin chegou à incrível marca de 38km/h – bem, incrível para um ser humano, não é mesmo? Quanto a Usain Bolt, o jamaicano, fez marca semelhante, mas um pouco abaixo.

O avestruz e sua Biologia

Biologicamente, o avestruz é intrigante.


Biologicamente, é animal que intriga pesquisadores e especialistas em função de diversos detalhes. Dentre as aves que não voam, o avestruz é a maior do mundo. A média de tempo de vida é de 40 anos, mas chegam a bem mais que isso. Veja agora alguns desses detalhes:

Sistema digestivo do avestruz

Ele possui três estômagos e um longo ceco, que é a parte inicial dos intestinos grossos. A mecânica digestiva dessa ave a torna uma das pouquíssimas que fazem xixi, além da ema (aves em geral não dispõem de bexiga, pois os líquidos ingeridos são absorvidos pelo sangue).

Estrutura física

As pernas longas são o que mais chamam a atenção no avestruz, além da cabeça desproporcionalmente pequena. Machos têm penas normalmente pretas e as fêmeas, cinza – ambos têm penas brancas nas pontas das asas e cauda. As penas maciíssimas, o que é ideal para o comércio.

Suas patas são apropriadas para altas velocidades. Enquanto a maioria das aves possui 4 dedos nos pés, o avestruz dispõe de apenas 2. Porém, esses são poderosos. Um deles tem unha, o outro se assemelha mais a cascos que propriamente a dedos. É por aí que parte da rapidez em corrida é explicada. A outra parte se dá por conta da musculatura.

Se necessário, o avestruz permanece sem água por muitos dias. Mas, claro, gostam desse líquido. Retiram moléculas de água de raízes e outros materiais que come.

Já seu globo ocular é bastante grande – por volta de 5cm de diâmetro. É assim que avista predadores perigosos a distância, como leões e tigres.

Alimentação do avestruz

Ao se alimentar, o avestruz engole até pedra.


Sendo ave, não tem dentes. Contudo, ao longo do desenvolvimento corporal durante milênios, descobriu que pequenas pedras ajudam na trituração do material alimentar. Assim, ele engole pedregulhos, que se alojam na moela. Ali, é possível depositar até 1kg de pedrinhas.

É ave onívora, ou seja, comem tanto vegetais quanto animais. A base de sua alimentação é arbustos, grama, frutas, sementes e algumas espécies de flores. Porém, adora gafanhotos, apesar de não dispensar outros insetos pequenos.

Tamanho e peso

Os machos conseguem altura de mais de 2,5m; as fêmeas ficam mais ou menos com 2m. O peso é entre 100kg e 130kg, o que chama muito a atenção de criadores que comercializam sua carne. Em fazendas, a fase de engorda é austera. Ha registros de animais com até 150kg.

A complexa conquista do avestruz macho

Seu jeitão desengonçado também é famoso. É grande e tem pernas muito longas, o que é mesmo engraçado. Apesar disso, ele tem hábito de promover uma dancinha graciosa quando quer chamar a atenção de alguma fêmea para acasalar.

Dancinha graciosa e complicada, aliás. O macho tem um grupo de até 7 fêmeas para o qual se exibir. Bate as asas em ritmos diferentes – muito rápido e mais lentamente. Assim, gera sons que não chegam a ser musicais, mas são interessantes. Além disso, emite sons pela garganta, chegando até a assobiar.

Quando uma das fêmeas do grupo finalmente resolve se deixar levar pelos encantos da dancinha, o macho aumenta o ritmo das asas para formalizar a relação. É também sua maneira de informar a seus rivais de que teve êxito na conquista. Assim, certamente vai espantar qualquer indivíduo mais ousado que queira atrapalhar o namoro.

Depois, durante algum tempo, o casal vai pastar lado a lado, estando ele preparando o clima para a cópula. Especialistas acreditam que é a maneira que o macho tem de capturar a atenção da fêmea pelo estômago. Então, ele passa a bicar e pisotear o chão preparando o ninho de acasalamento com auxílio da parceira.

Enquanto isso, a fêmea “brinca” dando voltas ao redor do macho. Após isso, ele enrosca seu pescoço no dela como serpente e a põe no chão. Então, deita-se sobre ela e o ato se realiza.

Por falar em reprodução, o avestruz possui pênis, o que não é comum no universo das aves em geral (estas têm apenas testículos reprodutores). O órgão do avestruz é interno quando inativo, mas chega a 20cm de comprimento durante a cópula.

O indivíduo chega a boas condições reprodutoras por volta de 3 a 4 anos; já as fêmeas conseguem essas condições vários meses antes.

A nidificação

Em zoologia, nidificação é a ação dos animais de produzir e construir seus ninhos. Os da fêmea de avestruz têm pelo menos 3m de diâmetro e até 60cm de profundidade. O interessante é que o ninho é coletivo, servindo a várias fêmeas prenhes.

Os ovos são muito grandes em relação a outras aves – cerca de 15cm de comprimento e por volta de 1,5kg -, mas realmente pequenos proporcionalmente ao tamanho da ave.

Interessante: de dia, a fêmea choca os ovos; à noite, esse trabalho é do macho. Grande exemplo de divisão de tarefas domésticas tão requerida atualmente pelas mulheres. É ou não é?

Por volta de 40 dias depois de postos, os ovos estão prontos para se quebrar. É o macho que geralmente acompanha o fato e, depois, dá as primeiras lições para os filhotes quanto à procura por alimento e autodefesa. Entretanto, essa tarefa também é dividida com as fêmeas.

Asas multifuncionais

Normalmente, asas são órgãos que servem para voo de aves. O avestruz não voa, como a gente já comentou; entretanto, a natureza compensou esse bichinho com asas com múltiplas funções.

Durante corridas, elas servem como auxiliar na mudança de direção, isto é, uma espécie de leme; podem também ser usadas para aplacar sol forte sobre seus filhotes, como apara-sol eficiente.

Além disso, como o avestruz não tem penas nas coxas, as asas as protegem do frio e do calor. Afinal, de ponta a ponta das asas, o avestruz cobre uma extensão de mais de 2m.

O poder comercial do avestruz

A carne do avestruz é muito apreciada e altamente saborosa.


O avestruz é ave muito forte e pouco propensa a contrair doenças. Ele se adapta a diversos ambientes e pode suportar temperaturas variadas. O gosto da carne é comparado ao de nacos não gordurosos de bovinas. As penas macias e brilhantes serviram de são belos adornos para chapéus feminino no passado e, hoje, para fantasias e muitos objetos decorativos.

Isso é altamente atrativo para criadores. Além disso, podem se reproduzir por até 30 anos durante a fase adulta.

Nas últimas décadas, foram organizadas verdadeiras fazendas criadouras de avestruzes. A indústria de criação dessas aves rende bilhões de dólares ao redor do mundo. Afinal, boa parte da estrutura física e orgânica da ave é aproveitada.

A carne é preparada para consumo humano em restaurantes, alguns deles considerados de luxo. A maciez das penas é procurada por decoradores e estilistas do mundo inteiro. A própria pele é usada na criação de utensílios como bolsas e sapatos. Não raramente, a qualidade do couro de avestruz é comparada à do couro de crocodilo.

Por isso, o mercado de roupas e carteiras finas paga até 300 dólares por metro quadro de couro.

É utilizado na confecção de roupas finas, bolsas e carteiras, valendo de US$150 a US$300 o metro quadrado.

Além disso, podem também servir como animais de corrida, como já comentado acima. Entretanto, esse esporte é intensamente criticado por organizações protetoras de animais. Assim, não têm alcançado público considerável nos EUA e Europa em geral, o que não incentiva patrocinadores.

Portanto, avestruz é isso

São muitos os detalhes comportamentais e fisiológicos que envolvem essa ave interessantíssima. Se você tiver mais dúvidas ou precisar e quiser saber mais curiosidades, envie mensagem para nosso site. Conhecendo mais detalhes sobre o avestruz, deixe na área de comentários abaixo.

Por Serg Smigg

Serg Smigg é jornalista, redator, revisor e analista textual, além de roteirista e escritor. Extremo defensor das causas animais, cria seus textos apresentando conceitos claros sobre a importância desses para a humanidade e caminhos para sejam cada vez mais respeitados. A paralelo, ministra palestras inspiracionais corporativas na área de comunicação interna, externa e interpessoal social. Oferece dicas de gramática e expressividade em seu site smiggcomcorp.wordpress.com.

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