Já dizia um provérbio português antigo, “Aves de rapina não dão pombos”, ao descrever as duas facetas do universo das aves: a brutalidade existente entre as aves de rapina, e a mansidão encontrada nos pombos.

Neste artigo você vai se deparar com um desses lados, o das aves de rapina. Nenhum tipo de ave seria mais adequado para mostrar o pior lado desse fantástico mundo das aves. Entretanto, talvez nenhum seja tão adequado para representar também a força, a perspicácia e determinação.

Não é à toa, que a figura de aves de rapina é vista em brasões de famílias, em logomarcas de holding mundiais, em instituições diversas, até mesmo religiosas. A representatividade assumida pela imagem de uma águia ou falcão, por exemplo, orbita o imaginário popular há séculos.

Mas afinal, quais as diferenças entre esses dois lados? É o que você vai ver também aqui. Além disso, ainda conhecer maneiras de identificar visualmente uma ave de rapina.

Como saber se uma ave é rapinante

As aves de rapina são animais algozes e perspicazes.


O termo “rapina” é atribuído às situações de ataque violento, belicosidade, comportamento brutal, selvageria assídua. Mais precisamente, a origem do termo vem de rapto, ou seja, captura com consequente sequestro. Nada mais adequado para se referir a determinados tipos de aves, cuja postura é exatamente essa.
  • Bicos: São pontiagudos voltados para baixo;
  • Carnivorismo: alimentam-se por instinto de seres vivos em geral ou de carcaças encontradas pelo caminho;
  • Garras: afiadíssimas em formato de ganchos, providas de unhas grandes;
  • Predação: estão em constante atividade de captura de presas;
  • Envergadura: atingem enorme área de uma asa à outra quando totalmente abertas.

As espécies de hábitos diurnos podem reconhecer imagens coloridas. Alguns tipos de falcões, por exemplo, identificam luzes ultravioleta. Como a urina de determinados mamíferos contém luminosidade desse tipo, esses falcões são capazes de detectar seus rastros e determinar a localização exata da presa.

Por outro lado, outros tipos, como a coruja (Sim, corujas são consideradas aves de rapina também), são altamente sensíveis a luzes em geral porque têm hábitos noturnos.

Características das aves de rapina

São muitas as espécies de aves de rapina.


Esse tipo de ave se destaca por uma série de características interessantes. Entretanto, a variedade delas oscila entre extremos no que se refere a tamanho, peso (há algumas com apenas 50g), agilidade e hábitos. O conjunto em si põe as aves de rapina no rol dos animais mais perigosos.

Da quantidade de aves no mundo, pouco mais de 10% são de rapina; a maioria está concentrada no Brasil e América Latina em geral. Veja aqui as principais características das aves de rapina:

Poder de caça

“Aves de rapina” é termo diretamente associado à capacidade de caça desses animais. Quando se fala nelas, o que vem à baila é justamente suas estratégias de caça. Aliás, as propriedades listadas abaixo constroem esse poder.

Sensibilidade a sons

Os ouvidos das aves de rapina são especialmente capacitados. Identificam o mínimo som de concorrentes, de agressores e de presas a grande distância. Os rapinantes de hábitos noturnos, como a coruja, se beneficiam sobremaneira dos ouvidos a fim de perscrutar o silêncio ambiental.

A natureza e sua sapiência fizeram nascer penas bem menores ao redor dos ouvidos das aves de rapina. Assim, elas trabalham como se fossem aparos de sons e os dirigem para dentro dos ouvidos.

Há casos específicos em que a posição dos ouvidos aumenta sobremaneira a capacidade auditiva dessas aves. O direito é voltado para cima e o esquerdo cima, para baixo. Isso permite captura direcional extremamente eficiente. Muitas vezes, aves com esse tipo de ouvido nem mesmo usam a visão para localizar presas.

Visão

A visão das aves de rapina são de poderoso alcance.


Quando se diz “puxa! Você tem olhos de águia”, quer-se dizer exatamente isso. Visão apuradíssima, perfeita e poderosa. É essencial no momento de detectar presas e investidas de rivais.

Segundo estudos, a visão da maioria das aves de rapina é 10 vezes mais potente que a dos humanos. Muitas delas capturam visualmente uma presa de porte pequeno que esteja distante por 03 quilômetros.

Seus olhos estão em posição de auxílio mútuo voltados exatamente para o horizonte. Isso facilita visão binocular (cada olho vê aspectos diferentes da mesma imagem e o cérebro analisa o conjunto em si).

Outro dado interessante é o globo ocular ser realmente enorme para acomodar as funções de rapinagem: bidimensionalidade, acuidade etc. Por outro lado, o tamanho dos olhos das aves de rapina impede movimentos oculares para os lados e para cima/abaixo. Daí a necessidade de estar sempre em alerta.

Bico

Os bicos das aves de rapina bicos são extremamente resistentes e cortantes


São extremamente resistentes e cortantes – verdadeira lâmina móvel. O formato em ponta fina curvada para baixo facilita no momento de manter a presa sob controle. Além disso, rasgam o alimento sob enorme força.
Os bicos das rapinantes foram se moldando ao longo das gerações. Dependendo do tipo de alimento que a espécie foi consumindo, estes podem ser pequenos ou não, menos curvos, mais afiados. Alguns dispõem até mesmo de algo parecido com serrilhas. Entretanto, são sempre muito duros.

Olfação

Já a capacidade de sentir cheiros parece ter sido ignorada pela evolução ao longo dos séculos. Provavelmente porque as outras características se mostram muito eficientes. Assim, raríssimos representantes da rapinagem possuem bom sistema olfativo.

Garras

É a “ferramenta” mais usada por aves de rapina. O tamanho e angulação das curvas dos dedos dependem do tipo de presas que mais procuram. Porém, as unhas são “punhais” que penetram na carne da presa rápida e tenazmente. Apanham aves em pleno voo e é muito difícil que estas consigam se soltar, mesmo as de porte físico maior.

Algumas espécies também usam as garras para apanhar peixes nas superfícies de rios, lagos e mares; outras conseguem alterar a posição do quarto dedo e colocá-los em ângulo oposto aos outros. Isso amplia a ação sobre maior área do corpo que agarram.

Penagem

O material (queratina) de que as penas se constituem é propício às diversas funções de conjunto de penas. As do tronco são espessas no dorso a fim de promover o que especialistas em aerodinâmica chamam de voabilidade.

Há penas menores abaixo das maiores, mais macias, cuja função principal é manter a temperatura adequada. Ainda há as que funcionam como leme durante o voo. Estão mais na extremidade das asas.

Espécies de aves de rapina

As aves de rapina possuem visão extraordinária entre muitas habilidades.


Biólogos e especialistas classificaram até agora pouco menos de 600 espécies entre aquelas com hábitos noturnos e diurnos. No Brasil, há 99 delas. Veja agora alguns dos mais belos representantes das aves de rapina.

Abutre-real

Pode chegar a 14kg de peso e mais de 3m de envergadura. É encontrado mais nas regiões arábicas. Alimentam-se de animais razoavelmente grandes, como flamengos e antílopes, mas gostam de ovos e filhotes de outros tipos de aves. Aproveita-se de seu tamanho e silhueta imponente para ser um dos primeiros a devorar carcaças.

Condor dos Andes

É uma das maiores aves do mundo, juntamente com o Condor da Califórnia. Ultrapassa facilmente 1m de comprimento e chega a mais de 3m de uma asa a outra abertas. Preferem áreas montanhosas, onde ventos fortes auxiliam voo. Alimentam-se normalmente de roedores.

Águia-marcial

É a maior águia da África. Seu tamanho permite captura de grandes animais, como até mesmo leões e babuínos, com agressividade inapelável. Sua perspicácia é conhecida. Exemplo disso é o fato de nem sempre atacar animais grandes, pois “sabe” que é difícil transportá-los para locais altos. Consumi-los diretamente no local pode significar perigo imediato.

Condor da Califórnia

O que o destaca é a preferência por animais já mortos. Porém, é grande caçador, em especial em regiões amplas e abertas nas quais aproveita ainda mais o poder de visão.

Abutre-barbudo

Vive na Ásia e Europa, mas é visto também na África. Não é tão pesado (8kg), mas a envergadura é incrível (3m). Uma de suas características mais incríveis é aproveitar-se da medula dos ossos, de onde retira substâncias nutritivas.

Para isso, leva os ossos no bico até alturas máximas e os solta sobre solo duro; repete a operação até que se quebrem. Uma vez quebrados, finaliza a degustação do banquete. Há muitos casos em que aplicam o mesmo procedimento a cascos de tartarugas.

Gavião-real (Hárpia)

É difícil falar em aves de rapina e não mencionar o Gavião-real. Talvez seja o representante de rapina mais conhecido e belo de que se tem notícia.

Vive mais nas regiões latinas. É a maior ave de rapina do Brasil. Trata-se de espécie muito mais insociável, assumindo postura solitária em todas as fases da vida. Seu ataque é altamente eficaz em função da discrição e silêncio nas investidas.

Chega alturas incríveis, de onde observa o ambiente à procura de presas. A aerodinâmica permite voos de beleza e eficácia incomuns. O instinto predador constitui o que de mais mortal há na rapinagem. A força de suas garras é capaz de quebrar braços humanos ou fazer suas unhas furarem crânios.

Águia-dourada

Tanto quanto o gavião-real, a águia-dourada representa muito o universo das aves de rapina. A inteligência é incrível; usa-a para desenvolver estratégias de ataque via de regra fatais. Para se ter uma ideia, é comum trabalharem em dupla. Assim, enquanto uma cansa a presa em perseguição inapelável, outra espreita para capturar.

Águia-filipina

Trata-se da quinta maior ave de rapina conhecida, com 1m de comprimento. Gosta muito de macacos filipinos como fonte de alimento. Quando os ataca, apresenta certo prazer ao praticamente cercar o animal antes de devorá-lo. É símbolo oficial daquele país. Portanto, caçá-las é proibido e pode render até 12 anos de prisão.

A menor ave de rapina do mundo

Os falcões do gênero Microhierax são as menores aves de rapina do mundo


Os falcões do gênero Microhierax não passam de 20cm de comprimento. Seus representantes mais reconhecidos como os menores são o M. fringillarius, M. caerulescens e M. atifrons.

Há registro de exemplares adultos com pouco mais de 10cm de comprimento pesando entre 30 e 50g. Se não fossem a silhueta soberba e o olhar de predador, poderiam ser confundidos com pardais inofensivos.
Já no Brasil, o menor rapinante é o chamado Gaviãozinho, no diminutivo mesmo justamente por causa do tamanho: de 18 a 24cm.

Um aparte sobre as águias

As aves de rapina possuem inteligência ímpar.


Uma linda crônica motivacional diz que as águias, quando envelhecem, sobem na mais alta montanha. Lá, arrancam as próprias penas, bico e unhas a fim de se renovarem para enfrentar os problemas da vida.

Bem, a crônica é ótima e serve para demonstrar a capacidade de resiliência de que todos os vencedores são munidos, mas não passa disso: lenda. “Fake News”, para usar um termo mais atual.

Quando uma águia golpeia uma pedra com o bico está apenas mantendo a ponta afiada; se estiver sem penas, certamente está adoecida. Nada disso tem a ver com estratégia de autorrenovação.

Pois então! É isso. Você soube muitas informações sobre aves de rapina ou então reforçou seus conhecimentos nesta apresentação. Se tiver mais alguma curiosidade sobre elas ou informações que não viu aqui, envie para nossas equipes. Ou, então, deixe nos comentários.

Por Serg Smigg

Serg Smigg é jornalista, redator, revisor e analista textual, além de roteirista e escritor. Extremo defensor das causas animais, cria seus textos apresentando conceitos claros sobre a importância desses para a humanidade e caminhos para sejam cada vez mais respeitados. A paralelo, ministra palestras inspiracionais corporativas na área de comunicação interna, externa e interpessoal social. Oferece dicas de gramática e expressividade em seu site smiggcomcorp.wordpress.com.

Deixe uma resposta