O atum é, sem dúvidas, um peixe muito especial e conhecido por todos. Dos alimentos que vem do mar, é certamente o mais popular de todos, sendo sua forma de consumo mais comum a enlatada. Tanto que a maior parte dos atuns pescados passa por esse processo de industrialização.

Esse peixe faz parte da história da humanidade. Foi representado através de pinturas em cavernas pelos homens primitivos, e sua imagem foi até mesmo cunhada em moedas. A primeira referência que se conhece sobre a pesca do atum data de 700 a.C, no mar Egeu. Cardumes serviram de alimento para os gregos e, posteriormente, para legiões romanas.

Existem oito espécies de atum, sendo o Atum Azul o mais cobiçado. Isso porque o peixe possui um tamanho notável e uma carne extremamente saborosa.

Recentemente, em janeiro de 2019, o dono de uma rede japonesa de restaurantes estabeleceu um novo recorde  ao pagar mais de 3 milhões de dólares por um atum azul no primeiro leilão do ano no novo mercado de peixe de Tóquio, superando um recorde de 2013.

Espécies de Atum

Como mencionado anteriormente, existem oito espécies de atum.

  1. Thunnus alalunga – conhecida pelo nome comum de albacora, é uma espécie de peixe com distribuição natural nas águas tropicais e subtropicais de todos os oceanos e ainda no Mar Mediterrâneo. Pesa aproximadamente 33 kg.
  2. Thunnus albacares – conhecido no Brasil pelos nomes Albacora, Albacora-da-lage, Albacora-cachorra. Espécie ameaçada.
  3. Thunnus atlanticus – oriundo do Oceano Atlântico ocidental. Conhecido pelos nomes Albacora, Albacora-preta ou Albacorinha, Atum-barbatana-negra ou Atum-negro. Seu estado de conservação é estável.
  4. Thunnus maccoyii – conhecido como Atum-do-sul. É uma espécie de atum com distribuição natural nas águas marinhas temperadas e subtropicais do hemisfério sul. Seu estado de conservação é, no entanto, crítico.
  5. Thunnus obesus – o atum obeso, também conhecido como Patudo, chega a pesar cerca de 120 kg. Tem um valor econômico muito elevado no mercado, uma vez que é muito usado em pratos como “sashimi” no Japão.
  6. Thunnus orientalis – conhecido como atum-do-pacífico. Habita praticamente todas as águas do planeta e é considerado um dos principais predadores dos ecossistemas oceânicos, sendo endêmico do Oceano Pacífico norte. Os machos podem alcançar os 300 cm de comprimento total e os 450 kg de peso.
  7. Thunnus thynnus – conhecido como atum-rabilho, ou atum azul, é típico do Oceano Atlântico. É muito utilizado na culinária japonesa em pratos como o ‘sashimi’. Um indivíduo adulto dessa espécie pode chegar a pesar 380 kg.
  8. Thunnus tonggol – Atum-do-índico, é uma espécie objeto de importante pescaria comercial. A espécie tem distribuição natural no Indo-Pacífico, desde o Mar Vermelho à Nova Guiné e aos mares a sul do Japão. A IUCN considera o estado de conservação da espécie como não suficientemente conhecido.

Ficha Técnica do Atum

Nome científico: Thunnus sp

Reino: Animalia

Filo: Chordata

Classe: Actinopterygii

Ordem: Perciformes

Família: Scombridae

Tamanho: Varia conforme a espécie.

Características do Atum

O atum apresenta o corpo alongado, fusiforme, boca grande e alongada, duas barbatanas dorsais bem separadas e ajustáveis a um sulco no dorso, seguidas por grupos de lepidotríquias também na região ventral.

A barbatana caudal é bifurcada e, no seu pedúnculo, possui duas quilhas de queratina.

Os atuns são animais endodérmico, ou seja, têm um sistema vascular especializado em trocas de calor, podendo elevar a temperatura do corpo acima da água onde nadam. É essa a característica que confere ao peixe uma carne em tom rosado.

Além disso, é por esta razão que são grandes nadadores, já que podem realizar migrações ao longo de um oceano.

Comportamento

O atum viaja em grandes grupos, chamados cardumes. Algumas espécies conseguem nadar até 170 km num único dia. Além disso, vários tipos de atum voltam para as águas em que nasceram para procriar.

Seus cardumes normalmente acompanham as correntes marinhas, sendo encontrados em todos os oceanos.

Reprodução do Atum

Do ponto de vista da reprodução, são dioicos e não mostram dimorfismo sexual, ou seja, machos e fêmeas não apresentam diferenças visíveis entre eles.

As fêmeas produzem grandes quantidades de ovos planctônicos que se desenvolvem em larvas pelágicas.

Alimentação

O atum se alimenta de outros peixes, entre eles o arenque, a savelha e a cavala. Algumas espécies também comem pequenos invertebrados, como lulas.

Habitat

O atum é um peixe que vive nas regiões tropicais e subtropicais de todos os oceanos.  Normalmente formam cardumes só de peixes da mesma idade.

No Brasil, é possível encontrá-lo em toda a costa, porém sua maior incidência ocorre no nordeste e em parte do sudeste e do sul. A albacora (Thunnus albacares) e o atum (Thunnus atlanticus) são os mais comuns na costa brasileira.

No entanto, se aproximar na costa não é algo costumeiro para esta espécie. De fato, costuma ser mais comum encontrar estes peixes em mar aberto, salvo áreas de grande profundidade. Os atuns, principalmente os mais jovens, costumam nadar em cardumes.

Predadores e formas de defesa

Os atuns são historicamente de grande importância pesqueira, portanto não há dúvidas de que o maior predador do atum é o ser humano. De fato, sua pesca é, e sempre foi, muito popular.

Por essa razão e, como resultado do aumento da procura de pescado no mercado internacional, algumas espécies de atum, como o “azul” (Thunnus thynnus) chegaram à situação de sobrepesca.

No entanto, durante o século XX formaram-se várias organizações internacionais que promovem a pesca responsável dos atuns, como a Comissão Internacional para a Conservação dos Atuns do Atlântico e a Comissão Inter-Americana para os Atuns Tropicais.

Além de ser consumido fresco, o atum é também uma importante matéria-prima para a indústria conserveira. Em Portugal, esta indústria começou a florescer desde o final do século XIX, consolidando a sua posição no mercado durante a primeira metade de século XX.

Mais recentemente, no entanto, com o desenvolvimento dos movimentos ambientalistas, foram levantados alguns problemas ambientais. De fato, apesar das pescarias de atum serem bastante específicas, verificou-se que durante alguns tipos de pesca, como a feita com rede, capturavam-se algumas espécies indesejadas ou mesmo protegidas, como as tartarugas marinhas e os golfinhos.

Por essa razão, os consumidores (principalmente nos Estados Unidos, mas com tendência também de se popularizar na União Europeia) são aconselhados a não adquirirem atum que não seja “certificado” como proveniente de uma “pescaria responsável” ou “que protege a biodiversidade”.

A pesca de atum no Brasil

Segundo o Diário do Nordeste, das 27 mil toneladas geradas anualmente no País, entre 13 mil e 17 mil partem do território cearense. Esse número representa até 62% do volume do pescado no País.

Os resultados da atividade de pesca do atum tem sido tão bons, que instituições financeiras têm demonstrado interesse em financiar a construção de embarcações de pesca de atum.

Atualmente, o Brasil pesca em torno de 50 mil toneladas de atum por ano. Há sete anos, essa pesca ficava próxima de 25 mil toneladas, o que demonstra a tendência de crescimento, segundo site da FIERN.

Atum e o consumo humano

Além de ter uma carne muito saborosa o atum é, sem dúvida, um dos queridinhos dos adeptos da alimentação saudável.

Sob a ótica nutricional, o atum é considerado um alimento que fornece proteína de alto valor biológico e com baixo teor de gorduras saturadas. Além disso, é uma excelente fonte de vitamina B3, vitamina B12, e vitamina B6. O peixe também figura dentre as limitadas fontes alimentares de vitamina D, relacionada não somente à saúde dos ossos, mas também atuando no sistema imunológico e neurológico.

O atum também consiste num alimento rico fósforo, essencial para o crescimento dos tecidos. Além disso, possui minerais como magnésio e potássio, fundamentais para a função cardíaca e a regulação da pressão arterial.

Além disso, é importante destacar também o ômega-3, um ácido graxo essencial. Esse nutriente é um aliado na proteção do organismo frente a eventos cardiovasculares, como o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC), já que tem papel na redução dos triglicérides plasmáticos e por estar associado à melhor regulação da pressão arterial e atuação positiva no sistema circulatório, reduzindo, portanto, o risco de obstrução dos vasos sanguíneos.