Segundo um artigo publicado pela National Geographic em junho de 2019, o ataque de tubarão tem se tornado um fenômeno cada vez mais frequente. Ao longo dos últimos anos, de fato, diversos ataques de tubarão foram relatados no mundo.

As estatísticas mostram que os ataques costumam ocorrer em águas com mais de dois metros de profundidade, e envolvem tubarões com cerca de 2 a 8 metros de comprimento.

No mundo, as áreas consideradas mais perigosas são a África do Sul, a Austrália e os Estados Unidos. Já em nossas costas, o ataque de tubarão não é muito comum.

Conhecendo melhor o tubarão

O tubarão é um animal vertebrado da classe dos Chondrichthyes, ou seja, trata-se de um peixe cartilaginoso. São animais considerados de grande porte. De fato, algumas espécies podem alcançar até 20 m de comprimento.

Seu corpo é fusiforme. Sua pele, áspera e resistente, é recoberta por escamas placoides, cujas formas e distribuição aumentam a eficiência da natação.

Habita os mais diversos ambientes oceânicos, desde a costa a grandes profundidades e diferentes temperaturas.

Características dos tubarões

Sistema sensorial: tubarões possuem visão bem desenvolvida, olfato aguçado, podendo sentir determinados odores a grandes distâncias. Além disso, suas linhas laterais permitem que identifiquem mudanças de pressão da água, sendo importantes detectores de vibrações.

Sistema reprodutor: podem ser ovíparos, ovovivíparos ou vivíparos. Em algumas espécies, pode ser observado o canibalismo entre os embriões.

Sistema digestório: apresentam boca ventral com dentes dispostos em fileiras, podendo ser substituídos durante a vida. Além disso, apresentam cinese craniana, ou seja, a capacidade de mover os ossos do crânio. Isso permite que se alimentem de grandes presas.

Sistema circulatório: assim como os demais peixes, apresentam um coração com duas cavidades, um átrio e um ventrículo, e circulação fechada.

Sistema respiratório: apresentam respiração braquial e não possuem bexiga natatória. Nesse caso, o fígado, devido à grande quantidade de gordura, é quem o auxilia na flutuação.

Ataque de tubarão

O Brasil encontra-se em nono lugar na lista de países com maior número de ataques registrados.

No Brasil, a maior concentração de ataques ocorre em Recife (PE). Entre os fatores que podem ter contribuído para esse grande número de ataques, pode estar a construção do Porto de Suape. De fato, para que a obra fosse realizada, desmatou-se uma grande área de manguezal, afetando a cadeia alimentar marinha na região.

Outro fator que pode ter contribuído é a poluição lançada nos estuários, locais de reprodução da espécie cabeça-chata (a responsável pela maioria dos ataques). Esse fator diminui a quantidade de peixes e ainda pode atrair algumas espécies como o tubarão-tigre. Além disso, a poluição afeta a visibilidade, fazendo com que o tubarão confunda sua presa.

Ataque de tubarão no Recife

Segundo o Jornal Correio Brasiliense, em 1992 Pernambuco entrava no roteiro mundial das estatísticas de incidentes com tubarão ao começar a registrar oficialmente ataques do predador dos mares na própria costa. De fato, o primeiro caso de ataque de tubarão aconteceu em frente à igreja da Praia de Piedade, em 1992. Posteriormente, em 1994, uma tragédia maior ocorreu, quando 10 pessoas foram atacadas. Ao longo de mais de duas décadas, 62 vítimas foram atacadas, das quais 24 morreram.

Pernambuco, todavia, não é o único estado brasileiro com ataques de tubarão em suas águas. Dados em análise pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) apontam que, das 17 unidades da federação cortadas pelo mar, 11 têm histórico de incidentes. No entanto, Pernambuco ainda é responsável por mais da metade dos incidentes e mantém uma média de mais de duas ocorrências por ano.

Segundo essa pesquisa, cerca de 30% dos incidentes ocorreram em áreas onde agem as correntes de retorno, popularmente conhecidas como valas, ou seja, os ataques aconteceram depois de um princípio de afogamento. De fato, foi comprovado que quando as pessoas são levadas pelas correntes, tendem a permanecer numa zona por onde passa um canal de oito metros de profundidade que margeia a costa pernambucana. É justamente nesse lugar que os tubarões se deslocam.

Praias no Brasil que apresentam maiores riscos de ataque de tubarão.

No Brasil temos duas praias com maior perigo de ataque de tubarão. Ambas ficam no estado de Pernambuco.

Praia da Boa Viagem, no litoral do Recife é o ponto que mais sofre de ataques de tubarão em toda a América do Sul. Ao caminhar pela orla, é possível avistar diversos cartazes indicam aos turistas a presença destes animais. As espécies mais encontradas são os tubarões cabeça chata e tubarões-tigre.

A outra praia é a Enseada da Caieira, em Fernando de Noronha.  É uma das praias que tem tubarões no Brasil e um dos lugares que mais contabiliza ataques de tubarão no mundo.

Segundo artigo publicado em junho de 2018 pelo jornal Gazeta, há, ainda, relatos de alguns ataques acidentais nas praias do Rio de Janeiro.

Praias no mundo com maior risco de ataque de tubarão.

Como mencionado no inicio do artigo, África, Austrália e Estados Unidos apresentam um índice alto de periculosidade nesse sentido. Conheça as praias com maiores riscos de ataque de tubarão.

Ataque de tubarão nos Estados Unidos

Califórnia – O litoral norte da Califórnia é bastante frequentado por tubarões de diversas espécies. Uma centena de ataques foram registrados na história e os tubarões são avistados com frequência em pontos como a cidade de Santa Cruz e a praia de Surf Beach. Outra praia é a Bolinas Beach,  que abriga os tubarões-brancos.

Flórida – Os tubarões cabeça-chata que infestam as águas de New Smyrna Beach fizeram desta região o local com o maior número de ataques por ano. No entanto, nunca foram registradas  mortes por ataque de tubarão. Apenas ferimentos.

Carolina do Norte –  Topsail Island é um dos locais com mais tubarões no litoral leste dos Estados Unidos. A ilha tem cerca de 50 quilômetros de praias, que são muito procuradas por turistas durante o verão apesar da presença de tubarões-martelo e tubarões-tigre.

Havaí – Famoso por suas belas praias, uma linda natureza e ondas perfeitas, mas também o perigo de encontrar tubarões. Nos últimos anos, a praia de Lyman Beach da ilha de Big Island foi palco de diversos ataques de tubarões-tigre, espécie mais encontrada no arquipélago.

Outro local, no mesmo estado, é a praia de Kahana, na ilha de Maui que teve relato de um acidente de ataque de tubarão recentemente. A região central do litoral norte da ilha de Oahu, conhecida como North Shore,  também é conhecida pela frequência de seus ataques de tubarão.

Continente Africano

África do Sul

As águas que rodeiam a Cidade do Cabo são conhecidas por sua grande quantidade de tubarões, entre eles temido tubarão-branco. A praia de Fish Hoek Beach é uma das mais perigosas da região, com frequentes ataques de tubarões a surfistas e banhistas.

Em alguns locais da África do Sul é possível avistar bem de perto os temidos tubarões brancos. São realizados mergulhos com jaulas de proteção para poder ver os animais em seu habitat natural. Locais que oferecem esse tipo de atração são ilha de Dyer Island (conhecida como meca dos tubarões brancos) e Gansbaai.

Perto da fronteira entre a África do Sul e o Moçambique, a área de Kosi Bay faz parte de uma reserva natural onde quatro lagos interligados desembocam no mar. No oceano, Kosi Bay tem uma forte concentração de tubarões cabeça-chata, especialmente agressivos nesta área.  Já a Second Beach, tem as piores estatísticas, com diversos ataques de tubarões que levaram as vítimas à morte.

Egito

A cidade de Sharm el-Sheikh é o principal destino turístico no litoral egípcio. Visitantes do mundo inteiro prestigiam a região para mergulhar em águas cristalinas e ideais para mergulho. Entre a grande biodiversidade local encontra-se também a presença de tubarões, responsáveis por alguns ataques nos últimos anos. Outros ataques foram relatados em Naama Bay.

Austrália

A Austrália tem altos índices de ataques de tubarão. Entre os locais mais arriscados, podem-se citar Coffin Bay, Bondi Beach e Gold Coast. Esse último é conhecido como um dos lugares mais perigosos do mundo quanto à presença de tubarões.

Outros destinos turísticos com registros de ataque de tubarão

Outros destinos paradisíacos que oferecem risco de ataque de tubarão são o Caribe, México e a Ilha da Reunião, que apesar de ser território francês, encontra-se no Oceano Indico, próximo a Madagascar.

No Caribe, a área de West End, possui populações abundantes de tubarões martelo, tubarões-tigre e cabeça-chata. No entanto, são raros os registros de ataques.  Em Cancun, no México também há registros ocasionais ataques do predador.

Já na Ilha da Reunião, o número de ataques de tubarão está crescendo cada vez mais e está se tornando, portanto, uma preocupação para as autoridades locais.

Por que ocorrem ataques de tubarão?

Existem cerca de 400 espécies de tubarões e, dessas, apenas 33 têm registro de ataques a seres humanos.

Após muitos anos de estudo, hoje sabe-se que os tubarões não apreciam a carne humana. Portanto, a maioria dos ataques ocorre de forma acidental ou por defesa.

Muitas vezes os ataques podem ser provocados por mergulhadores que procuram manipular esses animais. No entanto, são muito mais comuns os ataques não provocados. De fato, o tubarão pode confundir as pessoas com suas presas normais. Ainda mais se for um ambiente onde a água é muito turva.

Como evitar um ataque de tubarão

Existem algumas atitudes e cuidados que podem, sem dúvida, ajudar a prevenir ataques de tubarão.

  • Primeiramente, informe-se sobre o destino e respeite as regras e avisos locais, como é o caso da praia da Boa Viagem, em Recife.
  • Evite nadar ao entardecer ou no escuro, pois nesses momentos os tubarões ficam mais ativos;
  • Procure nadar em grupo. Os ataques costumam ser mais comuns a pessoas que estão sozinhas;
  • Não nade muito longe da arrebentação e fique atento em bancos de areias e declives;
  • Não entre no mar se estiver com qualquer tipo de sangramento;
  • Evite nadar em águas com escoamento de esgoto próximo. O lixo é, de fato, uma grande fonte de atração para o tubarão.
  • Evite as áreas utilizadas pela pesca comercial ou artesanal, especialmente se houver sinais de iscas na água ou atividade de alimentação. As aves marinhas são um bom indicador destas situações.
  • Evite águas turvas ou escuras (a vantagem sensorial está toda a favor do tubarão), em canais ou em bocas de baía.
  • Evite objetos brilhantes que simulem o brilho das escamas dos peixes, e roupas muito coloridas ou com grandes contrastes.
  • Se você observar um cardume de peixes se comportando de forma estranha ou se agrupando e se compactando, deixe a área imediatamente, pois eles podem já ter “sentido” a iminente presença de um tubarão.

O mais importante é, enfim, respeitar o habitat desses animais, evitando interferir ao máximo com sua presença e suas ações. É preciso preservar o ambiente marinho.

O que fazer em caso de ataque de tubarão

Segundo especialistas do Museu Natural da Flórida, deve-se dar um golpe no nariz do animal, o que normalmente é suficiente para interromper o ataque.

Todavia, se isso não funcionar, deve-se ter a frieza de atingir seus olhos e guelras, duas áreas extremamente sensíveis. Ao se livrar, nade até a praia ou pedra mais próxima.

A importância do tubarão no ecossistema

Primeiramente, por serem grandes predadores, estão no topo da cadeia alimentar e contribuem para o controle e a saúde das populações das espécies que são suas presas. Além disso, muitas vezes se alimentam de bichos doentes e velhos.

Preservação dos tubarões

Especialistas estimam que cerca de 100 milhões de tubarões são mortos pelo homem todos os anos, fato que certamente ameaça muitas espécies. Os tubarões se reproduzem lentamente, então são especialmente vulneráveis à caça predatória.

Esse declínio que vem ocorrendo deve-se principalmente à sobrepesca (ainda por cima ilegal), muitas vezes para a retirada de subprodutos. Estudos dizem que 73 milhões de tubarões são mortos por ano por causa de suas barbatanas, já que contêm cartilagem e ainda por cima são uma iguaria cara e muito apreciada pelos japoneses e chineses.

Além disso, é comum que tubarões fiquem presos a equipamentos de pesca, tornando-se, assim, capturas acidentais.

Outro agravante para o declínio na população dos tubarões é, sem dúvida, a destruição de regiões costeiras, já que são muito utilizadas por algumas espécies para a reprodução.

Referências Bibliográficas

Correio Brasiliense

National Geographic