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Arara azul: habitat e curiosidades

arara azul em extinção

Com certeza, você já assistiu ao filme “Rio”, ou já ouviu falar. Pois bem! A Arara Azulé a protagonista. Um filme inteiro dedicado às aventuras de uma Ararinha azul bonitinha, simpática e amável. Apaixonante e apaixonada.

No filme, Blue, a arara azul macho, vive pacatamente há anos com uma jovem que o achara ainda filhote. Desenvolveram relacionamento fantástico. Entretanto, viviam em área urbana. E, pior, Blue vivia dentro de casa, tendo nascida e criada em cativeiro. Contente, feliz, alegre, mas em área restrita.

Portanto, teve poucas chances de aprender a voar. Então, não voava. O filme inteiro se desenrola em torno desse fato. Pelo menos, de início. Depois, o foco é a paixão de Blue por uma arara de sua espécie, Jade.

E o filme trata indiretamente do tema que vamos tratar aqui diretamente: A Arara azul em perigo de extinção.

O que sabe a ciência sobre a arara azul

A arara azul é parente dos periquitos, papagaios e maritacas.
A arara azul é parente dos periquitos, papagaios e maritacas.

A Arara Azul compõe a família dos Psitacídeos. Ou seja, é parente dos papagaios, maritacas, periquitos etc. Fazem parte do gênero Anodorhynchus – em grego, Anodon que dizer sem dentes e rhunkos significa bico. Assim, “bicho com bico sem dentes”.

Há três tipos devidamente catalogados nos órgãos de controle:

  • Arara azul pequena ou Ararinha azul: está praticamente extinta, já que há muitos anos não se encontra exemplares novos.
  • Arara azul de lear: atinge cerca de 70cm de comprimento e sua plumagem é azul escura
  • Arara azul grande: também conhecida como jacinto nos interiores do norte e nordeste do Brasil

Esse último tipo é a maior arara conhecida. Pode atingir até 1m de comprimento e mais ou menos 1,5kg. Sua cauda é esticada permanentemente e tem bicos bastante fortes. Aliás, os bicos são usados para romper as casas das árvores onde ela faz o ninho.

A arara azul é bastante sociável entre semelhantes. Convive bem em bandos e famílias. Não raro, aves jovens permanecem em espécie de dormitório coletivo, onde se protegem e parecem se comunicar. Portanto, são muito inteligentes, sendo as aves mais perspicazes da espécie.

Quanto ao ciclo de vida, podem chegar a 40 anos. A reprodução é consumada normalmente entre novembro e dezembro em ambiente selvagem.

A cor da plumagem é característica, claro. É um azul cobalto forte que vai se tornando levemente mais fraco até chegar à cauda. O contorno dos olhos é amarelo, bem como as pálpebras. O que chama a atenção é sua língua, que é preta, mas apresenta faixas amareladas nas laterais.

É capaz de articular sons inteligíveis, mas de maneira bastante limitada. É eminentemente fiel ao parceiro(a). Permanecem como casal até que a morte os separe.

Onde vive

A arara azul vive ao norte do brasil, nas florestas tropicais.
A arara azul vive ao norte do brasil, nas florestas tropicais.

A arara azul habita o norte do Brasil e parte dos países adjacentes. Por aqui, está em 11 estados, mais predominantemente nos amazônicos. Não é possível presumir um número mais ou menos claro de indivíduos. Entretanto, estudiosos estipulam por volta de 100 mil antes que os colonizadores chegassem à América do Sul. Mas, já nos anos 1990, estudos levantaram apenas 2500 araras azuis.

Por outro lado, cientistas têm esperança de que haja um número bem maior de araras azuis cativas. Segundo dados prévios levantados, isso é plenamente possível.

É ave de floresta. As floresta tropicais – preferem as mais úmidas – são seu habitat, além de certos tipos de pântanos – preferem os mais gramados. A esmagadora maioria dos exemplares vive no Brasil.

A espécie maior, a jacinto, é habituada a viver em orifícios e frestas de árvores frondosas.

Reprodução

Normalmente, as fêmeas põem poucos ovos, dois ou três. Entretanto, é muito raro que mais um da ninhada evolua depois da eclosão. Via de regra, apenas um sobrevive. Aliás, esse é um dos complicadores para a sobrevivência da espécie, conforme é citado logo abaixo.

Mesmo em condições extremamente favoráveis, as fêmeas têm dificuldades para manter bom número de filhotes. Isso faz que a caça ilegal se mostre ainda mais predadora, verdadeiro crime.

Os filhotes, ao nascerem, têm por volta de 20gr; não têm penas, como a maioria das dos filhotes de aves; estas começam a nascer depois de 2 meses de vida. Ainda, necessitam de cuidados diretos por muitas horas depois, o que consome atenção da mamãe. Por isso, os machos – e eventualmente as fêmeas – saem em busca de alimento e, ao voltarem, depositam diretamente no bico dos filhotes.

Já os primeiros voos acontecem por volta dos 3 meses. Entretanto, são dependentes de cuidados dos pais até por volta dos 6 ou 7 meses de vida.

A fase adulta da arara azul começa entre os 8 ou 9 meses de vida, indo até mais ou menos 3 anos. Entretanto, está apta a se reproduzir entre os 6 e 7 anos.

Alimentação

A arara azul se alimenta de frutas com alguma gordura, como nozes. Além disso, gosta de outras frutas e vegetação em geral. Porém, são as palmeiras os alimentos que realmente embasam seu regime.

Por seu porte e estrutura física, é capaz de consumir sementes que aparentemente são impróprias para outras aves. Isso se dá mesmo com sementes com alguma espécie de veneno. Parece haver alguma explicação científica para isso.

Interessante: segundo a ciência, essas aves acabam ingerindo um pouco de barro nas margens dos rios. Porém, trata-se de estratégia da natureza, pois a lama absorve boa parte das substâncias venenosas das sementes. Ou, pelo menos, diminui bastante os efeitos nocivos.

Luta contra extinção

A arara azul está em extinção
A arara azul está em extinção

As cenas do filme Rio mencionadas no início deste artigo são bastante representativas do índice de perigo de que a arara azul é vítima. Blue, a personagem principal do filme, segue de Minnesota, EUA, para o Rio de Janeiro. Tem uma tarefa bastante importante: preservar sua espécie. Afinal, é o último macho dela.

Há quase 150 espécies de papagaios nos países das américas do Sul e Central. Delas, quase 50 correm risco de deixar de existir. Dentre estas, as 18 espécies de araras se encontram em fase preocupante, inclusive as araras azuis.

Esse perigo tem se alastrado por conta da exploração florestal, que invade o habitat da arara azul. Com isso, os hábitos naturais nos biomas propício às aves são claramente alterados. Por outro lado, ausência de leis fortes contra caça comercial acabam sustentando a ganância financeira de especuladores.

Como complemento, aqueles hábitos da arara azul mencionados acima a tornam muito mais sujeita à exploração. Ela é barulhenta ao extremo e não tem lá muito medo dos próprios caçadores. Além disso, suas cores chamam a atenção no meio da vegetação. Ainda, como tem hábitos, se torna bastante previsível, o que facilita perseguição por parte de caçadores.

Complicadores para manutenção da espécie

A beleza, a longevidade, a calma e a inteligência são atrativos para tornar a arara azul alvo de admiradores de animais de estimação. Entretanto, também fazem dela ave realmente valiosa – e fizeram em especial nos anos 1980/1990.

O altíssimo preço pago por proprietários inconscientes alimenta a gana de caçadores. Diz-se que, somente naqueles anos, mais de 10 mil indivíduos saíram ilegalmente de seus habitats.

Importante: Para apanhar os filhotes, os contrabandistas derrubam árvores. Dessa maneira, não apenas atacam a fauna, mas também a flora. Com isso, o local dos ninhos é destruído, o que deixa as fêmeas desnorteadas.

Ainda, a arara azul é muito mais sensível fora de seu habitat, em especial os filhotes. Quase 100% deles acabam morrendo no ciclo criminoso entre a caça e a venda final.

Mesmo porque, passam por diversas mãos de diversos compradores intermediários, o que evita ainda mais que expressem a própria natureza. Isso causa depressão, má alimentação e maus tratos.

Com isso, os contrabandistas acabam visando ainda mais a arara azul adulta. A ave se prende em redes, o que a machuca bastante, ou segue em poleiros imundos em veículos mal cuidados. Solavancos, alteração de clima, enfrentamento de temperatura etc. fazem a viagem infernal para a arara azul. Dessa maneira, calcula-se que 5 entre 6 aves morrem por conta disso.

Complicadores indiretos para manutenção da espécie

Há ainda uma série de fatos indiretos que dificulta a sobrevivência da arara azul. É ave inteligente, amável, familiar. Gosta do convívio com humanos, de carinho e de brincar. Assim, quando conseguem sobreviver entre a caça e a venda, se tornam parte das famílias.

E a esmagadora maioria entra nos EUA. No início dos anos 2000, mais de 8 milhões de aves seguiram para aquele país, legal ou legalmente. Percentual razoável dessa quantidade foi de arara azul. Ocorre que grande parte vai por contrabando e, mesmo no comércio legal, não há fiscalização das condições das aves.

Por outro lado, até mesmo os índios brasileiros estão envolvidos no processo de extinção. Nos últimos anos, houve aumento considerável no comércio de pena para produção de cocares. Com isso, mais ou menos 10 araras azuis são mortas para produzir apenas um cocar ou outro utensílio de venda para turistas.

Mais danos à arara azul

Além de todos os complicadores acima, ainda há invasão ao habitat das araras azuis por parte do crescimento regional. Hidrelétricas foram ou estão sendo construídas.

Assim, a natureza sente os efeitos e a arara azul, por ser sensível, sente ainda mais. Extensões ribeirinhas antes usadas por ela para se alimentar são inundadas por conta das barragens.

E mais, criadores de gado alegam que o barulho da arara azul interfere no bem-estar de seus animais. Elas se aproximam desses mamíferos porque estes são fonte de alimento indiretamente.

O gado consome alguns frutos do pantanal e os regurgita ou defeca já sem as cascas, claro. As aves aproveitam esse processo; entretanto, fazem verdadeira gritaria que, para elas, é um meio de comunicação.

Outra alegação dos territorialistas da região é que as palmeiras, usadas na construção de cerca, são destruídas pelas aves. Assim, matam exemplares de arara azul descontroladamente.

Para tornar a vida da arara azul ainda mais difícil, ainda há comunidades que consomem a carne dela como alimento. Alguns até a consideram prato predileto. Com certeza, isso aumenta o interesse dos caçadores.

Você pode ajudar a arara azul

Você pode ajudar a preservar a vida da arara azul.
Você pode ajudar a preservar a vida da arara azul.

Por esses e outros motivos, a arara azul entrou na lista dos animais em extinção há anos. Por outro lado, muitas ações de apreciadores, estudiosos e cientistas têm procurado salvar a espécie. Porém, a luta parece parece estar sendo perdida para alguns tipos e sub-espécies.

Se você pretende adquirir um indivíduo, procure criadores especializados e autorizados. Ao ter o seu, busque informações sobre comportamento, alimentação e saúde dessas aves.

Outra maneira de auxiliar é denunciando todo e qualquer crime contra a arara azul, bem como contra qualquer outro animal. Assim, você vai ser pólo difusor da conscientização sobre cuidados para com animais e sobre manutenção e preservação das espécies.

Tem alguma dúvida sobre a vida dessa ave apaixonante, a arara azul? Escreva pra gente uma mensagem na área dos comentários abaixo.

Serg Smigg

Written by Serg Smigg

Serg Smigg é jornalista, redator, revisor e analista textual, além de roteirista e escritor. Extremo defensor das causas animais, cria seus textos apresentando conceitos claros sobre a importância desses para a humanidade e caminhos para sejam cada vez mais respeitados.
A paralelo, ministra palestras inspiracionais corporativas na área de comunicação interna, externa e interpessoal social. Oferece dicas de gramática e expressividade em seu site smiggcomcorp.wordpress.com.

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