Basenji

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((Créditos/Copyright: "By Nadezhda V. Kulagina/Shutterstock"))
Basenji

Origem: África Central
Data de origem: século XIX
Grupo de Raças: FCI Grupo 05 – Spitz e Cães Primitivos / AKC Hound.
Função original: cão de caça
Função atual: cão de companhia
Outros nomes ou apelidos: Cão do Congo, Terrier do Congo, Cão de Arbusto Africano, Cão Africano que não late, Ango Angari, Cão do Zande.
Tamanho: porte médio.
Altura: Fêmeas de 38cm a 41cm / Machos de 41cm a 43cm.
Peso: Fêmeas de 9 kg a 11 kg / Machos de 10 kg a 12 kg.
Cores:
Pêlos:
Manutenção: fácil
Expectativa de vida: cerca de 10 a 14 anos.
Filhotes: cerca de 04 a 06 filhotes, fêmeas Basenji entram no cio uma vez ao ano.
Reconhecimento (Canil): CKC / FCI / AKC / UKC / KCGB / CKC / ANKC / NKC / NZKC / CCR / APRI / ACR / DRA / NAPR / ACA.

Introdução à raça Basenji

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Basenji sempre alerta e vivo a postos no campo. (Créditos/Copyright: “By Grisha Bruev/Shutterstock”)

Originário da África Central, o Basenji foi encontrado nas antigas florestas do Congo, onde a sua estrutura e tipo foram fixados por adaptação ao seu habitat, assim como a sua utilidade. O Basenji é um cão de caça que no início usava seu poderoso faro e visão para atrair pequenas presas até o caçador e controlar a população de roedores no seu vilarejo. Inteligente e cativante, ele é um bom companheiro para quem for capaz de estar sempre um passo à sua frente.

Apesar de originalmente ter a função de cão de caça e ser classificado pela AKC como um hound, alguns ainda consideram o Basenji muito parecido caracteristicamente com terriers devido a sua personalidade um tanto agitada para um hound. Já a FCI o classifica como Cães Spitz ou do tipo Primitivo.

O seu nome vem do dialeto falado no Congo, a Lingala, “mbwá na basɛ́nzi” que significa “cachorros da vila ou vilarejo”.

Basenjis compartilham de muitas características com os cães do tipo Pariah. Basenjis, como os Dingoes, os cães cantantes da Nova Guiné, também são muito vocais e são conhecidos por não latir, mas isso não significa que são silenciosos. Eles costumam uivar, cantar e fazer outras vocalizações ao invés do latido característico das raças caninas modernas, além de gemidos e choramingos que todos os cães fazem.

Apesar de não ser comprovada, há uma teoria que sustenta que esta característica é o resultado de uma seleção em relação aos cachorros que latem — no contexto tradicional da África Central — pois, latir poderia denunciar aos inimigos os acampamentos das tribos na floresta.

O Basenji produz um ruído diferente como se fosse um “yodel” (canto tirolês) chamado de “baroo”, devido a sua laringe de formato incomum — por esta razão o apelido do Basenji é “cão silencioso” ou “cão que não late”.

Basenjis atraem admiradores pela sua aparência bastante peculiar, pelagem curta, corpo levemente pequeno e musculoso, personalidade alerta, orelhas eretas e cauda curvada sobre o quadril. A sua sobrancelha enrugada lhe empresta uma expressão preocupada e intrigante, quando na verdade ele está pensando qual será a sua próxima travessura.

O Basenji também possui muitas características parecidas com os gatos, ele é esperto, curioso, independente, reservado e ainda mantém-se limpo. É muito inteligente, mas costuma ser bastante teimoso. A frase “adora agradar”, que costuma descrever tantas outras raças, no caso do Basenji é totalmente desconhecida. Ele pode até saber perfeitamente todos os comandos ensinados, mas é ele quem decidirá quando e porque obedecer. Ele costuma pensar primeiro, depois obedece se achar que há uma boa razão para desempenhar tal tarefa. Ao invés, Basenjis usam sua inteligência para exigir a sua atenção para conseguir aquilo que deseja ou precisa.

As pessoas que possuem Basenjis costumam dizer que a raça é boa para quem precisa aprender a não deixar as coisas jogadas pela casa, pois logo eles irão ensinar que qualquer coisa deixada ao alcance dele será destruída, mastigada ou digerida. Você irá aprender rapidinho a proteger seus pertences tirando-os do alcance desse cachorro curioso e travesso.

Basenjis também são mestres do “escapismo” — verdadeiros artistas em escapar — até mesmo uma cerca alta ou jardim cercado não são capazes de conter um Basenji determinado a estar em algum outro local. Suas raízes de caçador são bastante evidentes, pois adora perseguir e sair a procura, por isso deixá-lo muito tempo sozinho sem supervisão no jardim é dar sopa para o azar – ele dará um jeito de escapar se achar que tem algo mais interessante do outro lado da cerca ou do muro.

Por esta razão, por ser muito curioso e ter bastante energia para sair por aí farejando tudo, o Basenji precisa ser estimulado fisicamente e mentalmente para não ficar frustrado e se tornar destrutivo. O lado positivo é que ele é hilário e adora brincar! Você terá que ter um ótimo senso de humor para viver com ele. Só que se a sua ideia de brincar com o cachorro for jogar Frisbee ou bola para ele buscar, pode esquecer!

É comum ouvir alguém dizer: um bom Basenji é um Basenji cansado. Planeje dar a ele muito o que fazer, muitas atividades diárias como caminhadas na coleira e oportunidades para correr em áreas livre e seguras, sem tráfego ao redor. Sem atividades para mantê-los ocupados ele irá procurar o que fazer, e isso talvez não seja bom. Basenjis adoram esportes caninos em que ele possa caçar e perseguir coisas. O jogo consiste em atraí-lo para perseguir algo — normalmente uma sacola plástica (fingindo ser uma presa) — em um percurso no campo. A presa é amarrada e vai sendo puxada em uma série de solavancos para que o cachorro saia em sua perseguição pelo caminho. Agility é outro esporte canino que Basenjis costumam gostar. E muito embora obediência não seja o forte para Basenjis, eles podem obter sucesso se você conseguir inventar algo criativo para que eles pensem que o treinamento ou a competição foi ideia deles.

Basenjis não possuem odor, e soltam muito pouco pelo. As fêmeas entram no cio apenas uma vez ao ano — comparado a outras raças caninas, que possuem dois ou mais períodos de fertilidade todos os anos. E os machos são ótimos vigias, sempre alertas defendem sua família e o lar sempre que desafiados. Eles são notáveis pela sua coragem e se colocarão à frente de qualquer invasor com tudo o que tiverem.

Basenjis também são super cães de exposições graças a sua postura orgulhosa e pelagem. Eles são fáceis de serem preparados e não precisam de tosas e cuidados específicos ou complicados. Se você deseja um cachorro para competir em exposições, discuta sobre isso como seu criador antes de comprar um para que ele possa ajudar a escolher o melhor filhote para a tarefa.

Como podem notar, o Basenji tem mesmo excelentes qualidades, mas definitivamente não é para qualquer um. Quem não pesquisar sobre a raça antes de adquiri-la pode ficar desapontada ou frustrada se não estiver preparada para lidar com o temperamento e personalidade do Basenji. Se você obter um Basenji de um criador responsável capaz de argumentar sobre os prós e cons de viver com esta raça isto irá ajudar bastante.

O Basenji tem mesmo uma aparência e personalidade únicas, e pode até não ser para qualquer um, mas para aqueles que apreciam a sua inteligência e atitude, ele pode ser um companheiro ideal.

Origem da raça Basenji

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Basenji de olhar penetrante sempre alerta. (Créditos/Copyright: “By Dimedrol68/Shutterstock”)

O Basenji é uma raça tão antiga que foi identificada como raça base, fundamental para o surgimento das raças modernas no século XIX. Estudos recentes de DNA baseados em sequência de genoma indicam que o cão doméstico é geneticamente subespécies divergentes do lobo cinzento e derivado de uma população hoje extinta de antigos lobos Pleistocenos, sendo que o Basenji e o Dingo são ambos considerados membros do clã dos cães domésticos.

A terminologia do nome Basenji possui muitos significados entre as diversas tribos africanas. Os habitantes das tribos Azande e Mangbetu da região nordeste do Congo descrevem Basenjis, na língua local Lingala, como “mbwá na basɛ́nzi” — que significa “cães dos selvagens” ou “cães das pessoas do vilarejo”. No Congo, o Basenji é também conhecido por “cão de arbusto”, e pelos Azandes do sudeste do Sudão como “Ango Angari”.

Em Swahili, outro dialeto Bantu, do leste da África, “mbwa shenzi” significa “cão selvagem”, e outros nomes locais como “m’bwa m’kube” ou “m’bwa wamwitu”, que significam “cão pula-pula” em referência a sua tendência a pular para localizar suas presas. Já exploradores antigos chamavam os cachorros pelos nomes das tribos que os possuíam ou da área em que foram achados, como “Cães Zande” ou “Congo terriers”.

Os primórdios da raça

Originada no continente Africano, nas remotas florestas da África Central — no Congo, assim como também no Sudão e no Zaire —, cães do tipo Basenji viveram junto aos seres humanos por milhares de anos. Cães muito parecidos com os Basenjis modernos, o Tesem, podem ser vistos esculpidos em relevo nas tumbas de faraós Egípcios, aos pés de seus donos, com a mesma aparência de hoje. Cães deste tipo eram originalmente mantidos para caça de pequenas presas perseguindo-as e depois as atraindo para as redes dos caçadores.

Os primeiros registros europeus que descreveram o tipo de cachorro desta raça datam de 1895. Estes cães locais, que os Europeus identificaram como uma raça única chamada Basenji, eram valorizados pelos locais pela sua inteligência, coragem, velocidade e curiosamente, pelo silêncio.

Um artigo publicado por Stanley Coren, Ph.D. chamado “The Intelligence of Dogs” (tradução livre: A inteligência dos cachorros) parece discordar com relação à inteligência do Basenji, pois ele ocupa a segunda mais baixa posição segundo o artigo neste quesito. Alguns especialistas desmentem esta lista pois ela foca apenas na habilidade de ouvir um primeiro comando, ao passo que muitos cães de natureza independente como os Basenjis e os Afghan Hounds são na verdade mais inteligentes que raças obedientes por causa da sua habilidade de reconhecer quais ações os beneficiam e quais simplesmente agradarão outros.

O Basenji no Ocidente

Ao final de 1800 e início dos anos 1900 muitas tentativas foram feitas para levar o Basenji a Inglaterra, mas as primeiras importações tiveram muitos problemas de temperamento. Foi só em cerca de 1937 que alguns exemplares voltaram para a Inglaterra e obtiveram sucesso se tornando a base (junto a outros exemplares vindo do Congo e Sudão) da raça fora da África. É bem provável que todos os outros Basenjis no Ocidente sejam descendentes destes originais importados.

Todas estas importações do início atraíram muita atenção e logo o Basenji foi parar nos Estados Unidos. Os primeiros filhotes nascidos e criados em solo americano datam de cerca de 1940, o Clube Basenji da América foi formado em 1942, e a raça foi reconhecida formalmente pela AKC em 1944. A sua popularidade tanto para exposição como animal de estimação cresceu modestamente mas de forma estável. No entanto, em 1950, uma explosão em popularidade se deu por conta do lançamento de um livro e filme chamado “Goodbye, My Lady” em que um Basenji protagonizou.

A sua popularidade caiu bastante de acordo com a AKC, especialmente nos últimos 10 anos, e o hoje Basenjis são bem raros, por isso é provável que você tenha que ficar em uma lista de espera do seu criador se decidir que o Basenji é o cão ideal para você.

Aparência do Basenji

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Basenji e sua testa enrrugada que lhe empresta uma aparência intrigante. (Créditos/Copyright: “By Grisha Bruev/Shutterstock”)

O Basenji é um cachorro pequeno, suave e atlético com uma aparência única e elegante. Ele tem um andar distinto quase que uma marcha equestre. Basenjis são considerados cachorros “quadrangulares” – devem ser aproximadamente tão altos quanto longos. Eles possuem membros mais longos que os restos das raças primitivas, que dão mais velocidade e habilidade de desempenhar um galope de suspensão dupla. Suas patas são musculosas e retas, a linha superior às costas nivelada.

O pescoço é longo, a cabeça é plana, com uma testa enrugada e peluda. O focinho é mais comprido e o nariz preto, os olhos são pequenos, em formato de amêndoa, que vão desde castanho escuro a preto. As orelhas são pequenas, eretas e abertas na frente, que ajudam a localizar a presa e podem agir como dissipadoras de calor. Os dentes se fecham em mordida de tesoura ou nivelados. As costas são curtas, os pés pequenos e a cauda é alta e curvada sobre as costas em um dos lados.

A pelagem deve ser bem curta, fina, brilhante e macia, para ajudar a lidar com o clima quente da África. As cores podem ser bem variadas e incluem cobre, vermelho (quanto mais escuro, melhor), preto, amêndoa, tricolor em combinações de preto, castanho e branco, ou preto, rajado e branco, preto e castanho, preto e rajado, e rajado — todos com patas brancas e marcas brancas no peito e na ponta da cauda. Ele pode ter ou não também uma “estrela” branca no centro da face, entre os olhos e um colar ao redor do pescoço.

Ambiente Ideal para o Basenji

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Basenji deitado confortavelmente na cama do seu dono.
(Créditos/Copyright: “By Yuri Kravchenko/Shutterstock”)

O Basenji pode muito bem viver feliz em um apartamento ou lar pequeno se for suficientemente e constantemente exercitado. Eles são bastante ativos dentro de casa, por isso o ideal é ter um acesso para o jardim, mesmo que pequeno. Apesar de se adaptar a altas temperaturas, o Basenji deve viver dentro de casa. Ele gosta da companhia dos donos e se for relegado ao quintal sem companhia irá expressar a sua infelicidade de forma destrutiva. Além disso odeia água e climas muito úmidos. Basenjis adoram a companhia de outros cachorros da mesma raça e convivem muito bem juntos, já não se pode dizer o mesmo se a raça for diferente.

Temperamento & Personalidade do Basenji

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Basenjis costumam se dar bem juntos, sem brigas. (Créditos/Copyright: “By Rosa Jay/Shutterstock”)

O temperamento de qualquer cão é afetado por inúmeros fatores, incluindo hereditariedade, treinamento, e socialização. Como todo cão, o Basenji precisa de socialização desde filhote — o exponha à diferentes pessoas, locais, sons, cenas e experiências. A socialização ajuda a garantir que o seu Basenji cresça saudável tornando-se um cão bastante sociável.

O Basenji apesar de estar no grupo dos cães primitivos, ele também é um “hound”, o que significa que é inteligente, curioso e independente, mas também energético, afetuoso e alerta. Ele é um “sighthound”, o que significa que qualquer movimento é percebido por ele, e por isso ele irá perseguir tudo que se mover ao redor dele — gatos, esquilos, coelhos e roedores, por isso não é confiável deixá-los sozinhos com estes pequenos animais, à não ser que eles tenham sido criado juntos e que se tenha certeza de que ele os reconhece como membros da família. Porém, o mesmo reconhecimento não se aplica à outros animais que estiverem do outro lado do muro ou da cerca do jardim. Ele não só adora perseguir animais como também é mestre em escapar.

Basenjis muitas vezes ficam apoiados nas suas patas traseiras, como uma espécie de suricato, ou debruçados sobre algo; sempre que curiosos sobre alguma coisa. Detestam os climas úmidos, possuem aversão à água, como os gatos, e gostam de escalar podendo facilmente se livrar de correntes e cercas.

Embora goste de agradar o seu dono, o Basenji não é do tipo que obedece ao primeiro comando instantâneamente. Ele primeiro pensa, depois decide se quer mesmo fazer aquilo que está sendo pedido. Ele provavelmente estará mais interessado em descobrir o que há no lixo, se a grama é mesmo mais verde do outro lado do muro, que gosto teria o seu aparelho celular.

Como deu para perceber, ele não é para qualquer pessoa ou alguém inexperiente. É preciso muita paciência e um enorme senso de humor para viver com um Basenji. Se você for muito apegado às suas coisas, não tenha um. Basenjis são muito espertos para conseguirem aquilo que desejam da maneira deles; podem ser exigentes e manipuladores, e irão facilmente seduzir o seu dono à submissão. Eles precisam de um dono que apresente autoridade natural, alguém que saiba impôr as regras e mantê-las.

Sem uma liderança adequada em que as regras e limites estejam bem claros, Basenjis podem rapidamente de tornarem autoritários. O cachorro irá assumir o papel de líder do bando e problemas de comportamento irão surgir, especialmente se forem deixados sozinhos por longos períodos de tempo e sem o treinamento adequado.

Qualquer cachorro que apresente comportamentos como rosnar, surtar ou morder, está demonstrando que falta liderança. Estes problemas costumam surgir quando a pessoa não consegue distinguir um comportamento natural canino e confunde com emoções humanas, acabando com um cão que pensa que é o dono da casa. Mesmo sendo uma raça de porte pequeno, a pessoa PRECISA entender e seguir à risca o conceito de como manter um cachorro na linha em casa. Estes problemas podem ser corrigidos logo que os humanos passarem a ter controle sobre o cachorro.

Basenjis equilibrados que possuem donos que não permitem que eles desenvolvam Síndrome do Cachorro Pequeno, comportamentos induzidos por humanos em que o cão acredita ser o líder deles, não irão apresentar estes comportamentos negativos. Basenjis que possuem líderes firmes, confiantes e consistentes que entendem o comportamento canino e os tratam de acordo e que fornecem estímulos mentais e físicos suficientes serão sempre excelentes companhias para a família.

Apesar do Basenji ser um tanto reservado, ele é capaz de criar laços fortes com seus donos, e costuma ficar especialmente ligado em uma única pessoa. Mesmo assim, o Basenji não é do tipo que o seguirá pela casa, como uma sombra. Ele saberá o que você está fazendo, mas não irá exigir atenção, ele tem uma agenda própria. O Basenji é capaz de se dar bem com crianças, mas não é a melhor das companhias para brincar. Ele é veloz, cheio de energia, não cansa de brincar e gosta de provocar, mas pode ser estabanado demais. O ideal é que a criança entenda e saiba mostrar liderança com relação ao cachorro. E apesar de se dar muito bem com outros Basenjis, possui tendências a arrumar encrenca com outros cachorros — eles precisam ser expostos a diferentes pessoas, lugares, sons e experiências — desde cedo.

Se tratado de forma apropriada desde filhote, o Basenji pode ser um ótimo animal de estimação. O Basenji só tem dificuldades de comportamento se o seu dono for incompatível com ele.

O lado bom é que o Basenji é um cão de guarda excelente. Ele é alerta, territorial e nada amigável com quem não conhece, o que faz dele uma raça bastante desconfiada capaz de rosnar de forma ameaçadora para estranhos ou invasores, embora não perturbem com latidos quando há alguém na porta ou quando outro cão passa na frente de casa. O Basenji costuma circular em volta da pessoa ou animal quando se sente ameaçado.

E por falar na sua fama de silencioso, na verdade não é bem assim. É verdade que Basenjis não costumam latir, mas eles se comunicam de várias outras formas e barulhos, como grunhidos, gemidos, uivos e gritos, incluindo um latido que mais parece um canto tirolês, só para listar alguns dos barulhos estranhos que eles são capazes de fazer.

O Basenji perfeito não nasce perfeito, ele é produto da sua hereditariedade e criação. Seja lá o que você deseja dele, procure por um que tenha tido pais com boa personalidade e que tenham sido socializados desde filhotes. Qualquer cão pode desenvolver níveis desagradáveis de latidos, cavações e outros comportamentos inadequados se estiver entediado, destreinado ou não supervisionado.

Compre um filhote que tenha sido criado em casa e tenha certeza de que ele foi exposto a diferentes locais e sons, assim como pessoas antes de ir para outro lar. Continue socializando-o sempre levando a casa de amigos e vizinhos, assim como a passeios públicos. Antes de comprar um filhote, procure saber como escolher o filhote ideal e não deixe de conversar com o seu criador, descreva exatamente o que você procura em um cãozinho, e peça ajuda para escolher um filhote. Os criadores costumam conviver com filhotes todos os dias e podem dar excelentes recomendações uma vez que saibam um pouco sobre o seus estilo de vida e personalidade.

Os filhotes que possuem bons temperamentos costumam ser curiosos e brincalhões, costumam se aproximar das pessoas e gostam de ser carregados por elas. Escolha sempre o filhote que seja um meio-termo, não aquele que estiver mordendo ou judiando dos outros filhotes, nem aquele que estiver timidamente acuado em um cantinho. Tente sempre conhecer um de seus pais — normalmente é a mãe que fica disponível — para garantir que que ele tenha um temperamento que te faça sentir-se confortável com ele. Conhecer irmãos ou outros parentes também ajuda a avaliar como o filhote será na idade adulta.

Cuidados e Manutenção do Basenji

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Basenji banco e preto na floresta. (Créditos/Copyright: “By Rosa Jay/Shutterstock”)

Comece a acostumar o seu Basenji à ser escovado e examinado desde filhote. Mecha em suas patas com frequência — os cães costumam ser sensíveis com relação às suas patas — e olhe dentro de sua boca e orelhas. Torne essa manutenção uma experiência positiva cheia de elogios e recompensas, e assim você irá construir a base para exames veterinários e idas ao petshop mais fáceis de se lidar. Uma introdução cedo mostra para o independente Basenji que manutenção é um hábito normal da sua vida, e o ensina a aceitar com paciência todo o processo.

Ao checá-lo, procure por machucados, arranhões, feridas ou sinais de infecção como vermelhidão, inchaço, ou inflamação na pele, nas orelhas, nariz, boca, olhos e patas. Este rápido exame pode levar a diagnósticos mais cedo e evitar maiores problemas de saúde. Escove os seus dentes 2 ou 3 vezes na semana para remover tártaro e bactéria que proliferam dentro da boca – diariamente é ainda melhor para prevenir gengivite e mau hálito e ainda evitar o caimento precoce dos dentes.

Corte suas unhas uma ou duas vezes ao mês se não forem gastas naturalmente para evitar lágrimas dolorosas e outros problemas. Se você pode ouvir suas unhas batendo no chão, elas estão longas demais. Unhas caninas possuem artérias, se você cortá-las demais causará sangramento — e o seu cão pode não querer cooperar nas próximas vezes. Por isso, se você não tiver experiência ou não se sentir confiante para a tarefa, procure ajuda profissional. Cheque também suas orelhas uma vez por semana por sujeira, vermelhidão ou mau cheiro que possam indicar infecções. Limpe-as semanalmente usando loção de de PH equilibrado para evitar maiores problemas.

O Basenji não necessita de grandes cuidados ou manutenção. Ele possui o que chamamos de hábitos felinos quanto ao quesito de limpeza sendo capaz de se manter bastante limpo, por isso não tem odor e quase não irá precisar de banho. Por falar nisso, o Basenji não é chegado à água, talvez apenas se estiver muito quente. O Basenji também é considerado excelente escolha para quem tem alergia, pois também não solta muito pelo. E falando em pelos, seus cuidados também são mínimos, apenas algumas escovações ocasionais com uma escova firme para remover os pelos mortos é o suficiente para mantê-lo com boa aparência e pelos saudáveis.

Saúde do Basenji

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Basenji repousando na cama se sentindo confortável. (Créditos/Copyright: “By Yuri Kravchenko/Shutterstock”)

Na maioria das vezes, Basenjis são todos saudáveis, mas como toda raça canina, alguns são mais suscetíveis à certas condições de saúde. Algumas doenças são mais comuns em algumas raças que em outras e nem todos eles terão uma ou todas estas doenças, mas é importante saber sobre elas ao considerar esta raça.

Basenjis são suscetíveis certas condições de saúde como Síndrome Fanconi, doença do rim que pode ser identificada por beber líquidos e urinar em excesso; doença de malabsorção ou enteropatia imunoproliferativa intestinal, um tipo de doença autoimune inflamatória intestinal que leva a anorexia, diarréia crônica e até morte; deficiência de piruvato quinase que leva a anemia hemolítica; hipotireoidismo, tireoidite autoimune e displasia de quadril que resulta em perda da mobilidade e artrite.

Basenjis também sofrem de certas doenças de visão, como membrana pupilar persistente (pequenos fios sobre a pupila), atrofia progressiva da retina (uma degeneração da retina causando cegueira) e vários outros problemas de visão hereditários menos sérios como coloboma (um buraco na estrutura dos olhos); e hérnias umbilicais. Basenjis também são sensíveis à produtos químicos ambientais e domésticos, que podem causar problemas hepáticos.

Todos os cães possuem o potencial para desenvolver problemas genéticos de saúde, assim como todas as pessoas possuem potencial para herdar doenças. É sempre uma boa ideia perguntar a criadores quais os problemas que possam existir em suas linhagens. Corra de qualquer criador que não ofereça uma garantia de saúde de seus filhotes, e não garanta que a sua raça seja 100% saudável e não tenha nenhum problema. Um criador honesto e de boa reputação sempre estará a disposição para discutir a saúde de seus cachorros, seja boa ou má.

Criadores cuidadosos costumam investigar e testar seus cães para evitar doenças genéticas e reproduzir apenas as espécies mais saudáveis e de melhor aparência, mas às vezes a Mãe Natureza possui outros planos. Um filhote pode desenvolver uma destas doenças mesmo em reproduções cuidadosas. Avanços na medicina veterinária hoje garantem que na maioria das vezes os cães podem ter uma qualidade de vida. Se estiver pensando em comprar um filhote, pergunte ao criador sobre as idades dos cães em sua linhagem e as causas mais comuns de morte. Não compre um filhote de um criador que não possa fornecer documentação escrita de que os seus pais não possuem problemas de saúde que possam afetar a raça. Levar o filhote oa veterinário não é desculpa ou não substitui testes genéticos de saúde.

Lembre-se que depois de levar um filhote para casa, você tem a responsabilidade de protegê-lo de um dos problemas caninos mais comuns: a obesidade canina, inclusive uma das tendências da raça. Manter o seu Basenji em um peso adequado é uma das maneiras mais fáceis de manter a saúde do seu cachorro e a vida dele saudável para a vida inteira. Em geral, qualquer cachorro pode estender a sua longevidade canina desde que se tomem os devidos cuidados com a sua saúde. O Basenji costuma viver cerca de 13 a 14 anos, e ter muitos filhotes por cria, cerca de 4 a 6 filhotes..

Atividade & Exercícios do Basenji

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Basenji correndo pelo quintal livremente. (Créditos/Copyright: “By DragoNika/Shutterstock”)

O Basenji é um cachorro ativo que precisa de exercícios físicos e mentais diariamente, pois além de ser primordial para o seu estado emocional e saúde física, o Basenji tem enorme propensão à obesidade e preguiça. Alguns Basenjis se contentam com uma caminhada diária, já outros necessitam de formas mais entusiasmadas de exercícios como uma caminhada longa seguido de algum jogo vigoroso, ou uma corrida livre em área segura e cercada. Basenjis criados com crianças muitas vezes passam o tempo cansando um ao outro.

Durante as caminhadas e passeios, Basenjis devem sempre se manter ao lado ou atrás da pessoa que segura a guia, para que eles saibam quem é o líder. As brincadeiras podem até suprir suas necessidades físicas, no entanto, como em toda raça, apenas brincar não irá suprir seu instinto primário de caminhar. Cães que não fazem suas caminhadas diariamente são mais suscetíveis a apresentar problemas de comportamento.

O importante é dar os estímulos certos e mais adequados à idade, condições de saúde e nível de atividade da raça do seu cachorro. Para entender melhor o que pode ou não pode ser feito em termos de exercícios e estímulos, é preciso saber como estimular a mente do seu cão, e ter sempre em mente quais são os cuidados básicos na hora de exercitar o seu cachorro. Existem diversos motivos para exercitar e estimular o seu cão, mas o mais importante deve ser a saúde física e mental dele, sem falar que um cachorro saudável pode viver por muito mais tempo ao seu lado.

Treinamento do Basenji

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Basenji em treinamento na coleira. (Créditos/Copyright: “By Grisha Bruev/Shutterstock”)

Comece o treinamento do seu filhote no primeiro dia que ele chegar em casa. Mesmo com cerca de 8 semanas de vida ele é capaz de absorver tudo aquilo que você quiser ensiná-lo. Não espere que ele tenha 6 meses de idade para iniciar o treinamento dele e você terá um cachorro bem mais teimoso para lidar.

O treinamento do Basenji pode ser um desafio, pois eles são inteligentes e independentes. Métodos de treinamento devem ser variados e consistentes e as sessões curtas e divertidas para evitar o tédio, e não se surpreenda se ele dar um toque próprio ao seu treino ou tente te enganar de outras formas. Seja firme, gentil, paciente e use reforços positivos que podem incluir recompensas, brincadeiras e elogios. A maioria deles é tão motivada por comida que são capazes de fazer tudo o que for pedido só para ganhar as recompensas. Mantenha o treinamento interessante, Basenjis desenvolvem audição seletiva se tiver algo mais excitante que chame mais a sua atenção.

Castigos severos não funcionam, ele ficarão mais teimosos, ressentidos e menos inclinados a cooperar, podendo até fugir. Ele detestam água, um borrifador ou garrafa d’água sempre à mão pode ser uma ferramenta útil para evitar a sua distração. Apesar de todos os desafios, Basenjis são ávidos para agradar e aprendem muito rápido devido a sua enorme inteligência.

Quando o treinamento é divertido, ou seja, mistura técnicas de adestramento com diversão, o resultado é sempre muito mais positivo. Algumas dicas de como se divertir exercitando o seu cachorro poderão ajudar você a treiná-lo brincando. É importante conhecer o seu cão e entender quais são as atividades preferidas do cachorro.

O treinamento da caixa é algo também fortemente recomendado para o Basenji, pois eles podem ser destrutivos quando não supervisionados, entediados ou mal exercitados, em seus esforços contínuos para se entreter. O método não só ajuda no treinamento dentro de casa, mas também serve como um espaço para se acalmar e relaxar, além de evitar que ele saia mastigando tudo por ai enquanto você estiver fora. A caixa é apenas uma ferramenta, não uma jaula, por isso não mantenha-o preso ali por longos períodos. O melhor lugar para o seu Basenji é sempre com você.

Ensinar o seu cachorro a deitar, sentar e ficar no lugar é vital para o treinamento de um filhote, procure se informar sobre como adestrar o seu cachorro, é muito comum cometer erros durante o processo de treinamento.

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