Albatroz é o nome de uma ave marinha de grande porte pertencente à família Diomedeidae. É, certamente, o maior indivíduo entre os Procellariiformes, um grupo de pelo menos 120 espécies. Além disso, são aparentados aos pinguins, e não às gaivotas como é comum de se pensar!

O albatroz é famoso por seu voo aparentemente sem esforço. Suas asas, de fato, permanecem rígidas, e move-se de forma muito ágil pelo ar, cobrindo grandes distâncias com pouco esforço.

Quando há ventos fortes, são capazes de voar por horas sem movimentar muito as asas. De fato, essa ave aproveita a corrente ascendente de ar quente.

Os albatrozes utilizam as alterações do vento para percorrer grandes distâncias, recorrendo a duas técnicas de voo habituais em muitas aves marinhas de grandes asas: o voo dinâmico e o voo de talude.

O voo dinâmico permite minimizar o esforço necessário para deslizar frente às ondas, utilizando o ímpeto vertical devido ao gradiente de vento. No voo de talude, o albatroz enfrenta o vento, ganhando altitude, podendo, em seguida, deslizar diretamente para a superfície do oceano.

Origem e habitat do Albatroz

O albatroz é uma ave marinha muito encontrada no hemisfério Sul.

O albatroz é uma ave marinha muito encontrada no hemisfério Sul.

Como mencionado anteriormente, o albatroz é um animal marinho. A maior parte dos albatrozes distribuem-se no hemisfério sul, desde a Antártida até à Austrália, África do Sul e América do Sul. Algumas espécies podem ser encontradas também no Pacífico Norte.

Etimologia do nome

O nome albatroz deriva do árabe al-câdous ou al-ġaţţās, que significa, literalmente, “o mergulhador”.

Classificação do Albatroz

  • Nome científico: Diomedeidae
  • Reino: Animalia
  • Filo: Chordata
  • Classe: Aves
  • Ordem: Procellariiformes
  • Família: Diomedeidae
  • Gênero:  Diomedea, Thalassarche, Phoebastria, Phoebetria

Características Físicas do Albatroz

O albatroz é uma ave de bico grande, forte e de diferentes cores e plumagem, que varia entre o branco, o negro ­azulado e o pardo.

O albatroz é uma ave de bico grande, forte e de diferentes cores e plumagem, que varia entre o branco, o negro ­azulado e o pardo.

Os albatrozes estão distribuídos em quatro gêneros, ainda que haja desacordo quanto ao número de espécies. Os gêneros são: Diomedea, Thalassarche, Phoebetria e Phoebastria.

Essas aves se distinguem pelo bico grande, forte e de diferentes cores (amarelo, cinza, preto ou azul), e pela plumagem, que varia entre o branco, o negro ­azulado e o pardo.

Primeiramente, a família dos Procellariiformes abrange as maiores aves voadoras do mundo. O Diomedea exulans, por exemplo, pode exceder os 3 metros e meio de envergadura, ultrapassando o peso de 7,5 kg.

O albatroz possui pés grandes, providos de nadadeiras (semelhante aos pés das gaivotas).  Essa membrana interdigital lhes permite nadar, bem como pousar e decolar, deslizando sobre a água. As patas são particularmente fortes. Entre os Procellariiformes, apenas o albatroz e o petrel-gigante conseguem andar com eficiência em terra.

A envergadura de asa dos maiores albatrozes (do gênero Diomedea) ultrapassa a de qualquer outra ave, excedendo os 340 cm. As asas são firmes e convexas, com a parte frontal espessa e, enfim, aerodinâmica.

Bico do albatroz  e a característica glândula de sal

O bico é grande, forte e curvado como um grande gancho, de forma a facilitar a captura de presas de corpo liso e rápido. O bico é composto de várias placas córneas (ranfotecas) distintas e, lateralmente, apresenta duas narinas tubulosas na forma de dois tubos que acompanham as faces laterais do bico, por onde fazem excreção de sal.

Como toda ave marinha, o albatroz necessita excretar o excesso de sal, o que é feito através da glândula de sal. Esta glândula fica localizada numa concavidade do crânio acima de cada olho. Ela tem a função de retirar, portanto, o cloreto de sódio do sangue e elimina a solução concentrada deste sal pelas narinas.

As narinas tubulosas de todos os albatrozes dispõem-se ao longo dos dois lados do bico, ao contrário dos outros Procellariiformes, em que os tubos apenas se dispõem no topo do bico.  Além disso, estes tubos permitem, ainda, que os albatrozes tenham um sentido do olfato especialmente desenvolvido, o que é raro entre as aves. Essa capacidade é, portanto, desfrutada na busca por alimento.

Plumagem do albatroz

A plumagem adulta da maior parte dos albatrozes é, geralmente, caracterizada pela parte superior das asas, que é escura, enquanto a parte inferior é branca. Esta característica apresenta-se de forma diferente entre as diferentes espécies.

Muitas espécies do gênero Thalassarche e albatrozes do Pacífico Norte têm ainda marcas faciais, como manchas oculares, ou manchas cinzentas ou amarelas na cabeça e nuca. Algumas espécies de albatroz, como o albatroz-patinegro e os piaus, fogem por completo aos padrões habituais, sendo quase totalmente revestidos de castanho-escuro (ou cinzento escuro em determinados locais, como no caso do piau-de-costa-clara). Além disso, a plumagem pode levar vários anos até tomar a forma adulta definitiva.

Hábitos

No Brasil, é comum encontrar albatrozes durante o ano todo

No Brasil, é comum encontrar albatrozes durante o ano todo

No Brasil, é comum encontrar albatrozes durante o ano todo. Entretanto, a maioria dos indivíduos são jovens imaturos que perambulam pelos oceanos até atingirem a maturidade sexual. O número de albatrozes aumenta no outono e inverno austrais, ou seja, de março a setembro.

A aventura do albatroz inicia-se no meio do verão, quando as aves jovens, depois de ficarem em média cinco anos consecutivos em mares distantes, voam pela primeira vez ao lugar onde nasceram, para iniciar, enfim, o processo de acasalamento.

Reprodução do Albatroz

O albatroz é uma ave monogâmica.

O albatroz é uma ave monogâmica.

Albatrozes, primeiramente, são aves monogâmicas e nidificam em ilhas oceânicas variando o período de acordo com a espécie, formando grandes colônias. O casal coloca seus ovos em grandes ninhos feitos no chão e os incubam por um período que varia de uma a três semanas.

Uma das características da ordem Procellariiformes é a postura, durante a estação reprodutiva, de um único ovo bem grande.

A incubação é demorada nestas aves, durando entre 70 e 80 dias na maioria dos albatrozes, que significa o maior período de incubação conhecido entre as aves. Este processo exige, sem dúvida, muito em termos de gastos energéticos. De fato, os adultos podem perder cerca de 83 gramas de massa corporal por dia. Nos albatrozes, ambos os sexos chocam o ovo, revezando-se em longos intervalos.

Este comportamento é uma adaptação evolutiva que permite um maior sucesso reprodutivo, devido às grandes distâncias entre o ninho e a fonte de alimento no oceano. O revezamento na incubação do ovo ocorre em intervalos semanais, mas existem casos em que o macho incuba o ovo sozinho, sem se alimentar durante cinco semanas. O período total de incubação é de quase três meses.

Após a eclosão, o filhote é protegido pelos pais por um período de mais ou menos três semanas, até ter crescido o suficiente para se defender e acumulado gordura para conseguir a termorregulação.

Os filhotes de albatroz levam muito tempo até aprender a voar e sair do ninho. Estudos indicam que entre a postura dos ovos e a formação da plumagem e saída do filhote do ninho, podem passar até 13 meses, um período mais prolongado do que em qualquer outra ave conhecida. É por esse motivo que os albatrozes do gênero Diomedea colocam um único ovo e em anos alternados.

Alimentação do Albatroz

Alimentam-se de moluscos, como lulas, peixes e krill. Costumam recolher animais mortos ou, ainda, capturar seu alimento vivo à superfície ou mergulhando. Além disso, por acompanharem frequentemente as embarcações, é comum vê-los comendo lixo.

Risco de Extinção do Albatroz

Infelizmente, o albatroz é mais uma ave em extinção.

Infelizmente, o albatroz é mais uma ave em extinção.

Segundo o Instituto SAVE Brasil, a mortalidade acidental na pesca marítima é o principal motor da redução das populações de aves marinhas. Estima-se, de fato, que 300 mil aves marinhas sejam mortas por essa causa todos os anos. Os albatrozes e petréis compõem o grupo de aves mais ameaçado do planeta, com muitas espécies em risco de extinção.

Das 21 espécies de albatroz reconhecidas pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), 19 estão ameaçadas de extinção.

Muito importantes para o equilíbrio da vida marinha, os albatrozes e petréis interagem com as embarcações que utilizam a pesca de espinhel. Em busca de iscas, podem ser fisgados e levados à morte por afogamento. Anualmente milhares de aves oceânicas são capturadas de forma não intencional.

Além disso, infelizmente, é comum encontrar albatrozes mortos por causa de plásticos flutuantes ou redes abandonadas nos mares.

Programa de proteção – Projeto Albatroz

O Projeto Albatroz é patrocinado pela Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental, e ainda tem o apoio da Royal Society for the Protection of Birds (RSPB), Birdlife International, SAVE Brasil, Univali (Universidade do Vale do Itajaí) e UVA (Universidade Veiga de Almeida), campus de Cabo Frio-RJ.

O Projeto existe desde 1990 e trabalha para a conservação de albatrozes e petréis. Sua atuação visa reduzir o grave impacto ambiental causado pela mortalidade acidental em pesca marítima. De fato, o projeto desenvolve ações de pesquisa e monitoramento junto aos pescadores e a instituições parceiras. Também busca, sem dúvida, sensibilizar a sociedade realizando eventos e ações de Educação Ambiental para pescadores, escolas e público em geral.

Além disso, tem um importante papel em discussões nacionais e internacionais para o desenvolvimento de políticas públicas e de acordos pela proteção de albatrozes e petréis.

Referências Bibliográficas

SAVE Brasil
Sick, H. Ornitologia Brasileira. Ed. Nova Fronteira. 1997